O partido da presidente Cristina Kirchner e seu candidato Daniel Scioli receberam um duro golpe golpe nas eleições presidenciais. Com 97,17% das urnas apuradas, Mauricio Macri, 56 anos, prefeito de Buenos Aires há oito, obtém 34,33% dos votos. Scioli possui 36,86%. Com isso, o novo presidente da Argentina será escolhido no próximo dia 22 de novembro num segundo turno inédito. "É o começo de uma nova etapa", ressaltou Macri nesta segunda-feira durante coletiva de imprensa, na qual admitiu "surpresa e emoção" com os resultados.
O fiel da balança será o eleitorado de Sergio Massa, peronista dissidente que ficou em terceiro lugar, com 21,27% dos votos. "Scioli e Macri tentarão seduzir estes eleitores a partir desta segunda-feira", afirmou o cientista político Rosendo Fraga, da empresa de consultoria Nueva Mayoría.
Macri disse, dando o pontapé inicial na campanha do segundo turno, que espera que todos os argentinos que votaram em candidatos da oposição pensando em uma mudança, sintam-se cômodos já que há um conjunto de líderes que irá representá-los. "O que aconteceu hoje mudou a política do país", disse Macri, eufórico.
Para sociólogo Gabriel Puricelli, do Laboratório de Políticas Públicas, uma nova era começa na Argentina, após 12 anos da família Kirchner no poder. O falecido Néstor Kirchner (2003-2007) foi sucedido pela esposa Cristina Kirchner (2007-2015), impedida pela Constituição de disputar o terceiro mandato.
Para Puricelli, o golpe recebido pela governista Frente para a Vitória (FPV) é parte do desgaste natural "pelo tempo que está no poder, um fator universal que não tem relação com a Argentina". "É o fim de um ciclo", destacou.
Candidato oposicionista à presidência da Argentina fala em nova etapa
Mauricio Macri vai disputar o segundo turno contra Daniel Scioli, apoiado pela presidente Cristina Kirchner