A Capela Sistina foi fechada nesta segunda-feira (28) ao público para o início dos preparativos do conclave que elegerá o sucessor do papa Francisco, informou o Museu do Vaticano, organismo que administra as visitas ao local emblemático, que recebe milhões de pessoas por ano.
"Comunica-se que a Capela Sistina estará fechada ao público a partir de segunda-feira, 28 de abril de 2025, devido às exigências do Conclave", afirma uma mensagem publicada no site do museu. O conclave para escolha do próximo papa começará em 7 de maio.
Os cardeais definiram hoje a data de início desta reunião secreta na Capela Sistina. Os chamados "príncipes da Igreja" estavam reunidos desde 9h00 locais (4h00 de Brasília).
O primeiro pontífice latino-americano foi enterrado no sábado, após uma cerimônia solene de despedida na presença de líderes internacionais e de 400 mil pessoas.
Os cardeais foram convocados a Roma para escolher o novo papa. Do total de 135 com direito a voto - porque têm menos de 80 anos -, 80% foram designados por Francisco. Eles vêm de todas as regiões do mundo e muitos não se conhecem.
"Personalidade aberta"
Patricia Spotti espera que o novo pontífice "seja como o papa que faleceu". "Deve ter uma personalidade aberta para todos", disse à AFP esta mulher de 68 anos que viajou de Milão a Roma para o Ano do Jubileu, celebrado em 2025.
Muitos fiéis temem que o novo papa represente um passo atrás em relação ao legado do jesuíta argentino, marcado pela luta contra os abusos sexuais de menores de idade na Igreja, por mais espaço para mulheres e leigos e pela defesa dos pobres e migrantes.
"Nosso desejo é encontrar alguém que se pareça com Francisco, não que seja o mesmo, mas em continuidade", declarou o cardeal argentino Ángel Sixto Rossi, de 66 anos.
"É difícil dizer como imaginamos o perfil do novo papa", destacou o cardeal italiano Giuseppe Versaldi, de 83 anos, sem direito a voto. "Tem que haver continuidade, mas também avançar em frente, não apenas repetir o passado".
O cardeal espanhol José Cobo disse ao jornal El País que não será "nada previsível".
Como no filme?
O conclave provoca fascínio há vários séculos. O recente filme homônimo do diretor alemão Edward Berger, que venceu em março o Oscar de melhor roteiro adaptado, popularizou ainda mais o evento.
"Mais da metade de nós viveremos nosso primeiro conclave. É uma oportunidade para mostrar ao mundo que filmes como "Conclave" e outros semelhantes não são a realidade", disse o cardeal espanhol Cristóbal López Romero ao portal oficial Vatican News.
O filme retrata o processo de eleição de um novo papa, em reuniões a portas fechadas. O relato fictício mostra as tensões entre diversas alas do Vaticano.
Mas as divisões dentro da Igreja não são uma ficção. As reformas impulsionadas por Francisco e seu estilo simples despertaram críticas entre os setores mais conservadores, que apostam em uma mudança mais focada na doutrina.
"Hoje, precisamos de união, não de divisão", advertiu no domingo o cardeal do Mali Jean Zerbo, de 81 anos, após uma oração dos cardeais diante do túmulo de Francisco.
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As apostas
O cardeal alemão Reinhard Marx espera um conclave de "poucos dias". Roberto Regoli, professor da Universidade Pontifícia Gregoriana, acredita que não será rápido. "Estamos em um período em que o catolicismo está enfrentando várias polarizações e os cardeais terão que encontrar alguém que saiba forjar uma unidade maior", disse.
Com os conflitos e as crises diplomáticas no mundo, o italiano Pietro Parolin aparece como um dos favoritos. O cardeal atuou como secretário de Estado com Francisco, depois de ocupar o posto de núncio na Venezuela.
A casa de apostas britânica William Hill o coloca à frente do filipino Luis Antonio Tagle, seguido do cardeal ganês Peter Turkson e do também italiano Matteo Zuppi.