Cartes teve na noite dessa quarta uma reunião com a presidente Dilma Rousseff, em sua residência em Assunção, e na quinta deve conversar com a chefe de Estado argentina, Cristina Kirchner, e com o presidente uruguaio, José Mujica, tratando dos diversos temas "de forma bilateral".
Kirchner disse à imprensa que está em Assunção para ratificar a amizade de seus compatriotas com o povo paraguaio e para testemunhar sua admiração pelo herói nacional, o marechal Francisco Solano López.
Durante a última reunião do Mercosul, em julho, na cidade de Montevidéu, Dilma pediu a seus sócios do bloco que assistissem à posse de Cartes em um gesto de confiança sobre o Paraguai.
O Paraguai foi suspenso do Mercosul, assim como da Unasul (União das Nações Sul-americanas), em junho de 2012 como represália à destituição pelo Congresso do presidente esquerdista Fernando Lugo, via julgamento político, acusado de "mal desempenho de funções".
Paralelamente à suspensão do Paraguai, o Mercosul aprovou a entrada, como mebro pleno, da Venezuela, que não tinha sido ratificada pelo Congresso paraguaio. Os presidentes do Mercosul anunciaram em julho que a suspensão do Paraguai seria anulada com a posse de Cartes, eleito em abril.
Tanto Federico Franco (ex-vice-presidente de Lugo) como Cartes consideraram ilegal a entrada da Venezuela no Mercosul e este último descartou o retorno do Paraguai ao bloco. Loizaga disse que a presença dos sócios do Mercosul na posse de Cartes "é uma demonstração da intenção de normalizar as relações".
"Talvez tenhamos que voltar a retomar as conversações em um marco de respeito à igualdade entre os Estados. Acredito que oportunamente isso vai acontecer com o maior cuidado", pontuou. Ele informou que Cartes não recuará de sua declaração feita após a cúpula de Montevidéu de não retornar ao bloco.
"As irregularidades jurídicas da entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul, em julho de 2012, não foram sanadas conforme as normas legais de entrada de um novo membro", disse o presidente eleito.
Maduro assumiu a presidência temporária do Mercosul na cúpula de Montevidéu. Loizaga disse que o novo governo aprofundará suas relações com seus vizinhos fora do Mercosul, até que seja resolvida esta questão.