A Casa Branca se disse "consternada" nesta terça-feira com a decisão das autoridades israelenses de liberar a construção de 900 novos alojamentos na parte leste de Jerusalém e acusou Israel de complicar os esforços de paz com os palestinos.
"Estamos desalentados com a decisão tomada pela comissão de planejamento de Jerusalém" sobre a ampliação do bairro de Gilo, declarou Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca, em uma das reações mais duras da presidência americana contra o estado hebreu. "Num momento em que estamos trabalhando para relançar as negociações, tais decisões só complicam nossos esforços", lamentou.
O ministro do Interior israelense, Eli Yishai, havia autorizado nesta terça-feira a construção de 900 casas em Jerusalém Oriental, a parte da cidade reclamada pelos palestinos, informou um funcionário do governo de Israel.
Momentos antes, a rádio militar israelense havia anunciado que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, negou o pedido americano de congelar a construção de dezenas de casas nesse mesmo bairro.
Netanyahu rejeitou o pedido alegando que Gilo é "parte integrante de Jerusalém" e que não há nenhuma intenção de limitar a construção de casas no local. O primeiro-ministro destacou ainda que esse tipo de projeto privado não requer autorização do governo.
O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, criticou a solicitação americana, afirmando que era "discriminatória". "A lei israelense não faz distinção entre judeus, muçulmanos e cristãos ou entre Jerusalém Oriental e Ocidental. O pedido de paralisar a construção em função da religião não é legal nos Estados Unidos ou em qualquer outro lugar do mundo livre", argumentou em um comunicado.
Na segunda-feira, o emissário especial americano para o Oriente Médio, George Mitchell, dissera aos colaboradores de Netanyahu que este projeto pode provocar tensões com os palestinos e afetar as possibilidades de uma retomada das negociações, indicou a rádio.
A Autoridade Palestina condenou "severamente" a iniciativa israelense. "As colônias devem ser detidas. É a única forma para voltarmos a ter um verdadeiro processo de paz", declarou o principal negociador palestino Saeb Erakat.
A parte oriental de Jerusalém, onde vivem 200 mil israelenses e 270 mil palestinos, foi conquistada por Israel durante a guerra de 1967 e anexada.
Casa Branca acusa Israel de complicar esforços de paz
Governo israelense autorizou a construção de 900 casas na parte de Jerusalém reclamada pelos palestinos