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Casa branca nega culpa em tragédia com 103 mortos no Texas

A tempestade tornou-se uma das mais mortais nos EUA nos últimos 100 anos

Especialistas questionam se os cortes federais, incluindo funcionários do Serviço Nacional de Meteorologia, teriam relação com a falta de alertas à população
Especialistas questionam se os cortes federais, incluindo funcionários do Serviço Nacional de Meteorologia, teriam relação com a falta de alertas à população Foto : Eric Vryn / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

A Casa Branca rejeitou nesta segunda-feira, 7, qualquer responsabilidade pelas mortes causadas pelas enchentes no Texas.

Especialistas questionam se os cortes federais, incluindo funcionários do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS, na sigla em inglês), teriam relação com a falta de alertas à população.

Ontem, a porta-voz de Donald Trump, Karoline Leavitt, disse que enchentes são 'um ato de Deus', e não do governo. 'Os alertas foram emitidos, mas as pessoas estavam dormindo, porque a enchente ocorreu nas primeiras horas da manhã', disse Leavitt.

'As enchentes são um ato de Deus. Não é culpa do governo que elas tenham ocorrido quando ocorreram.'

Investigação

Alguns especialistas, no entanto, indicam que o escritório do NWS em San Antonio, que supervisiona os avisos emitidos no condado de Kerr, um dos mais afetados pela enchente, estava sem o meteorologista que coordena os alertas - o funcionário que desempenhava a função estava entre as centenas que aceitaram ofertas de demissão voluntária do governo, em abril.

Chuck Schumer, líder dos democratas no Senado, enviou ontem uma carta ao inspetor-geral do Departamento de Comércio, Roderick Anderson, pedindo a abertura de uma investigação sobre as vagas abertas no NWS.

Enquanto republicanos e democratas politizam a crise, equipes de emergência continuaram ontem as buscas por desaparecidos nas regiões mais atingidas. Centenas procuravam sobreviventes, alguns dos quais foram encontrados agarrados a árvores e flutuando em móveis. Com o passar do tempo, porém, os resgates se transformam em missões de recuperação.

O número de mortos chegou a 103, incluindo 27 crianças e monitores de um acampamento cristão para meninas localizado às margens do Rio Guadalupe. O presidente americano escalou uma tropa de choque para lidar com a crise. Um deles é o senador texano Ted Cruz, que ontem disse que o momento não é de apontar culpados.

'Depois que terminarmos a busca e o resgate, naturalmente haverá um período para dizer o que aconteceu, qual a linha do tempo e o que poderia ter sido feito.'

Ajuda

Trump, segundo o senador, prometeu dar tudo o que o Estado do Texas pedir para minimizar a tragédia. O presidente viajará para os locais mais afetados pelas enchentes no fim da semana, segundo a Casa Branca, que não deu mais detalhes sobre a agenda.

A NBC News informou ontem que 5 milhões de pessoas que vivem na região central do Texas ainda estão sob alertas de inundação, incluindo residentes de San Angelo, Killeen, Kerrville, San Antonio e Austin. Tempestades continuam a afetar partes do Estado que já estão saturadas pelas chuvas.

Prejuízos

As inundações repentinas no Rio Guadalupe e em partes da região montanhosa do Texas, no fim de semana do feriado de 4 de Julho, causaram um prejuízo estimado de US$ 18 bilhões a US$ 22 bilhões, segundo a AccuWeather.

A tempestade tornou-se uma das mais mortais nos EUA nos últimos 100 anos. 'Esse é o mais recente desastre em uma área com longo e trágico histórico de inundações repentinas mortais e destrutivas', disse Jonathan Porter, meteorologista da AccuWeather.

'Os danos, os impactos no turismo, o custo dos esforços de busca, a limpeza, bem como o pagamento de seguro após essa catastrófica inundação terão consequências econômicas duradouras na região.'

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