O naufrágio ocorreu no final da noite desse sábado, quando a embarcação seguia para a ilha de Giglio. O navio teria batido numa pedra e ficado preso no lado esquerdo, inclinando e fazendo com que a água entrasse. Com o acidente, pelo menos três pessoas morreram (dois franceses e um peruano). A embarcação tinha mais de 4 mil pessoas a bordo. Destes, 47 passageiros e seis tripulantes eram brasileiros. Segundo o Itamaraty, todos já estão em segurança.
O Consulado do Brasil em Roma informou que os brasileiros aguardam providências da companhia para levá-los até Roma, onde terão novos documentos para embarcar de volta ao Brasil. Um grupo de 26 brasileiros que sairia da Itália por Milão já está no consulado brasileiro para fazer os documentos necessários ao embarque de volta ao País.
Comandante preso
O comandante do navio Costa Concordia, Francesco Schettino, e o primeiro oficial, Ciro Ambrosio,foram detidos e interrogados por várias horas pelo promotor da província de Grosseto Francesco Verusio. De acordo com informações do jornal italiano Corriere Della Sera, eles serão acusados pelos homicídios e por abandonar quando ainda havia muitos passageiros a serem salvos.
Os investigadores afirmaram que o comandante deixou o navio por volta das 23h30min (horário local), quando a maioria dos passageiros e tripulantes aguardavam a evacuação. O navio foi esvaziado por volta das 3h da madrugada. Um vídeo mostra imagens do navio afundando.
Luciano Castro, um dos passageiros do "Costa Concordia", disse que "todos estavam jantando quando a luz apagou, houve um tranco e os pratos caíram da mesa". Quando a energia voltou, o comandante anunciou uma avaria no gerador elétrico e garantiu um conserto rápido, mas o barco começou a adernar.
A tripulação pediu que todos colocassem os coletes salva-vidas e logo veio a ordem para abandonar o navio, revelou Castro. Outra passageira, a jornalista Mara Parmegiani, descreveu "cenas de pânico dignas do Titanic, com empurrões entre os evacuados, gritos e choros.
Ela também denunciou a falta de preparação da tripulação. Segundo Mara, houve problemas quando os botes salva-vidas foram lançados ao mar e que alguns coletes salva-vidas não funcionaram. Unidades da Guarda Costeira, navios mercantes e ferrys garantiram a evacuação dos passageiros e tripulantes para a ilha de Giglio.
No total, 12 navios e 9 helicópteros foram mobilizados para verificar se não há ninguém no mar, segundo o porta-voz da capitania de Livorno, Emilio Del Santos. O armador Costa Crociera, dono do barco, se declarou "consternado" e expressou seus pêsames às famílias. Indicou que não é possível determinar de imediato as causas do acidente e assegurou que a evacuação foi rápida, apesar de difícil, já que estava entrando muita água no barco.
Segundo Costa Crociere, o barco havia partido de Savona para um cruzeiro pelo Mediterrâneo, com escalas previstas em Civitavecchia, Palermo, Cagliari (Itália), Palma de Mallorca, Barcelona (Espanha) e Marselha (França). O "Costa Concordia", de 290 metros, tem 58 quartos com suíte e balcão, cinco restaurantes, 13 bares e quatro piscinas.