"No gabinete, exercendo as responsabilidades que nos foram dadas pelo povo da Catalunha", tuitou Rull, responsável por Infraestruturas, Obras Públicas e Transportes. A mensagem vem acompanhada de uma imagem do político na mesa de seu gabinete, lendo o jornal desta segunda. Mas a pergunta que todos têm feito é: onde está Puigdemont? Ele não foi visto na sede do governo regional e não compareceu a uma reunião convocada por seu partido. Caso algum membro do Executivo destituído se apresente, o governo central determina que seja acompanhado por um policial até seu gabinete para recolher seus pertences. Se resistir a deixar o local, o agente deverá registrar a ocorrência e informar a Justiça.
"Estamos esperando para saber o que vai fazer amanhã o governo" de Puigdemont, explicou domingo à noite um líder separatista. "Se eles próprios acreditam que são o governo da República, então iremos protegê-los, mas se não fizerem nada, nós os aconselharemos", disse esta fonte que não quis se identificar.
"Estamos à espera de saber se o presidente e os conselheiros poderão trabalhar", disse também à AFP Gemma Manosa, uma secretária de 44 anos entrevistada no início da manhã em Barcelona. "Acredito que Puigdemont continua a ser o presidente daqueles que acreditam na independência (...), mas para aqueles que protestaram ontem contra a independência, é o Partido Popular (de Mariano Rajoy) que dirige", acrescentou.
No domingo, centenas de milhares de pessoas que apoiam a unidade da Espanha foram às ruas de Barcelona, depois que dezenas de milhares expressaram sua alegria ao anúncio do nascimento de sua "República" na sexta-feira.
"Guerra psicológica"
Poucas horas após a proclamação de independência votada no Parlamento catalão, o governo de Madri colocou a região sob tutela, apoiado no artigo 155 da Constituição, até então nunca utilizado. Mariano Rajoy convocou eleições para 21 de dezembro. Ele destituiu Carles Puigdemont e sua equipe, e a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Saenz de Santamaria, foi designada para dirigir a Catalunha.
Carles Puigdemont pediu no sábado que seus partidários se oponham pacificamente ao comando de Madri, como seu vice-presidente Oriol Junqueras, que também evocou um "combate nas urnas", sem esclarecer se seu partido, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) participará da votação convocada por Rajoy.
Cerca de 200.000 funcionários públicos catalães foram destituídos sob ordem de Madri. Falando de "um retorno à realidade", um líder separatista considerou no domingo à noite que o "governo da República não tem a capacidade de se impor". Uma certa decepção parecia reinar entre os separatistas. A República proclamada na sexta-feira não foi reconhecida por nenhum Estado estrangeiro e foi contestada por centenas de milhares de manifestantes no domingo (300.000 segundo a polícia local, um milhão de acordo com a prefeitura).
E, para completar, o procurador-geral do Estado espanhol anunciou nesta segunda-feira que apresentou uma denúncia por "rebelião" contra os membros do governo catalão destituído. A "denúncia contra os membros do governo (Executivo catalão) foi apresentada" perante o tribunal da Audiência Nacional, em Madri, e também visa fatos de "sedição, desvio de
recursos e prevaricação", informou o procurador José Manuel Maza.
O tribunal decidirá nos próximos dias se admite a denúncia. O crime de rebelião é punível com até 30 anos de prisão na Espanha.