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Catalunha inicia semana de incerteza após destituição de separatistas

Cerca de 200.000 funcionários públicos catalães foram destituídos sob ordem de Madri

Catalunha inicia semana de incerteza após destituição de separatistas
Catalunha inicia semana de incerteza após destituição de separatistas Foto : Josep Lago / AFP /CP
A Catalunha inicia nesta segunda-feira uma semana de incerteza, sob a administração direta do governo conservador espanhol de Mariano Rajoy, na expectativa de saber se os integrantes do governo separatista catalão destituídos após a declaração de independência na sexta-feira pretendem comparecer a seus gabinetes. Às 10h30 (07h30 de Brasília), a bandeira espanhola continuava hasteada na sede do Executivo catalão, em frente ao qual dezenas de jornalistas esperavam para ver se o presidente destituído Carles Puigdemont procuraria retomar suas funções. Ao menos um conselheiro (ministro), Josep Rull, foi para o trabalho.

"No gabinete, exercendo as responsabilidades que nos foram dadas pelo povo da Catalunha", tuitou Rull, responsável por Infraestruturas, Obras Públicas e Transportes. A mensagem vem acompanhada de uma imagem do político na mesa de seu gabinete, lendo o jornal desta segunda. Mas a pergunta que todos têm feito é: onde está Puigdemont? Ele não foi visto na sede do governo regional e não compareceu a uma reunião convocada por seu partido. Caso algum membro do Executivo destituído se apresente, o governo central determina que seja acompanhado por um policial até seu gabinete para recolher seus pertences. Se resistir a deixar o local, o agente deverá registrar a ocorrência e informar a Justiça.

"Estamos esperando para saber o que vai fazer amanhã o governo" de Puigdemont, explicou domingo à noite um líder separatista. "Se eles próprios acreditam que são o governo da República, então iremos protegê-los, mas se não fizerem nada, nós os aconselharemos", disse esta fonte que não quis se identificar.

"Estamos à espera de saber se o presidente e os conselheiros poderão trabalhar", disse também à AFP Gemma Manosa, uma secretária de 44 anos entrevistada no início da manhã em Barcelona. "Acredito que Puigdemont continua a ser o presidente daqueles que acreditam na independência (...), mas para aqueles que protestaram ontem contra a independência, é o Partido Popular (de Mariano Rajoy) que dirige", acrescentou.

No domingo, centenas de milhares de pessoas que apoiam a unidade da Espanha foram às ruas de Barcelona, depois que dezenas de milhares expressaram sua alegria ao anúncio do nascimento de sua "República" na sexta-feira.

"Guerra psicológica"

Poucas horas após a proclamação de independência votada no Parlamento catalão, o governo de Madri colocou a região sob tutela, apoiado no artigo 155 da Constituição, até então nunca utilizado. Mariano Rajoy convocou eleições para 21 de dezembro. Ele destituiu Carles Puigdemont e sua equipe, e a vice-presidente do governo espanhol, Soraya Saenz de Santamaria, foi designada para dirigir a Catalunha.

Carles Puigdemont pediu no sábado que seus partidários se oponham pacificamente ao comando de Madri, como seu vice-presidente Oriol Junqueras, que também evocou um "combate nas urnas", sem esclarecer se seu partido, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) participará da votação convocada por Rajoy.

Cerca de 200.000 funcionários públicos catalães foram destituídos sob ordem de Madri. Falando de "um retorno à realidade", um líder separatista considerou no domingo à noite que o "governo da República não tem a capacidade de se impor". Uma certa decepção parecia reinar entre os separatistas. A República proclamada na sexta-feira não foi reconhecida por nenhum Estado estrangeiro e foi contestada por centenas de milhares de manifestantes no domingo (300.000 segundo a polícia local, um milhão de acordo com a prefeitura).

E, para completar, o procurador-geral do Estado espanhol anunciou nesta segunda-feira que apresentou uma denúncia por "rebelião" contra os membros do governo catalão destituído. A "denúncia contra os membros do governo (Executivo catalão) foi apresentada" perante o tribunal da Audiência Nacional, em Madri, e também visa fatos de "sedição, desvio de
recursos e prevaricação", informou o procurador José Manuel Maza.

O tribunal decidirá nos próximos dias se admite a denúncia. O crime de rebelião é punível com até 30 anos de prisão na Espanha.