Centenas de libaneses vão às ruas no 1º aniversário de sua "revolução"

Centenas de libaneses vão às ruas no 1º aniversário de sua "revolução"

Dois governos renunciaram desde o início dos protestos, mas reformas concretas ainda não aconteceram

AFP

Centenas de manifestantes com bandeiras andaram por Beirute neste sábado

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Centenas de libaneses tomaram as ruas, neste sábado, para celebrar o primeiro aniversário de seu inédito movimento de protesto popular, que abalou a liderança política, mas que ainda não conseguiu provocar reformas concretas. Dois governos renunciaram desde o início dos protestos. Ainda assim, apesar da pressão dentro e fora do Líbano, as principais figuras políticas continuem no poder.

Segundo jornalistas da AFP, centenas de manifestantes com bandeiras andaram por Beirute neste sábado. Partindo da emblemática Praça dos Mártires, epicentro do protesto, passaram pelo Banco Central, acusado da crise econômica, antes de se dirigirem ao porto, onde uma explosão catastrófica deixou mais de 200 mortos e 6.500 feridos no último 4 de agosto.

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Os manifestantes farão uma vigília à luz de velas na hora exata da explosão. A responsabilidade pela tragédia é atribuída, principalmente, à negligência das autoridades. Próximo a este local, foi instalada um monumento para relembrar o aniversário da "revolução" de 17 de outubro.

"Continuamos a desconsiderar" nossos líderes políticos como legítimos, disse Melissa, de 42 anos, que está fortemente envolvida no movimento. "Continuamos na rua (...), juntos contra o governo corrupto", frisou.

Os protestos começaram no outono de 2019, em reação a um projeto do governo para taxar as ligações feitas pelo aplicativo WhatsApp. Na sequência, tornaram-se um movimento nacional de alcance sem precedentes para exigir a renovação completa de uma classe política no poder há décadas e considerada incompetente e corrupta.

O país também enfrenta sua pior crise econômica desde a guerra civil (1975-1990). Cada vez mais libaneses caem na pobreza e no desemprego, o que leva muitos deles a tentarem a sorte no exterior. A situação se vê agravada pelo colapso da moeda nacional e pelas restrições bancárias a saques e a transferências para o exterior. A este cenário, soma-se uma inflação galopante, dezenas de milhares de demissões e cortes nos salários. Tudo isso se agrava ainda mais no contexto da pandemia da Covid-19.

As autoridades proibiram manifestações e reuniões públicas como forma de controlar os contágios por coronavírus. Mesmo com uma capacidade de mobilização reduzida nas ruas, muitos dizem, no entanto, que a revolta não para de crescer.

No Twitter, o cientista político Jamil Muawad observou que, apesar dos "inúmeros esforços" dos manifestantes, o movimento não tem um "programa político e liderança, o que impede seu progresso".

Enquanto isso, o coordenador especial da ONU para o Líbano, Khan Kubis, comentou na sexta-feira que, "em um ano catastrófico, as queixas e demandas legítimas dos libaneses não foram ouvidas". Ele concluiu que "tudo isso agravou ainda mais a falta de confiança que os libaneses têm em seus líderes".

A classe política permanece mergulhada em uma negociação sem fim para formar um governo, ignorando os apelos da comunidade internacional para iniciar reformas. Inicialmente agendadas para quinta-feira, as consultas parlamentares para nomear o futuro chefe de Estado foram adiadas por uma semana pelo presidente Michel Aoun.


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