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Cerca de 1,5 mil navios estão “presos” por conflito no Golfo, segundo OMI

Aproximadamente 20 mil tripulantes são afetados por problema geopolítico

Conflito no Golfo gera impasses em navios
Conflito no Golfo gera impasses em navios Foto : Fadel Mahdan / AFP

Cerca de 1,5 mil embarcações e suas tripulações permanecem "presas" no Golfo devido ao bloqueio do Irã no Estreito de Ormuz, informou o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, no Panamá nesta quinta-feira (7). A guerra no Oriente Médio, desencadeada pelo ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro, provocou represálias de Teerã em vários países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma rota comercial estratégica.

"Neste momento, temos aproximadamente 20 mil tripulantes e cerca de 1,5 mil navios presos", afirmou Domínguez no início da Convenção Marítima das Américas. Ele ressaltou que são "pessoas inocentes que fazem seu trabalho todos os dias em benefício de outros países", mas "estão envolvidas em situações geopolíticas que fogem ao seu controle".

Bloqueio afeta comércio global

Domínguez enfatizou que esta é uma questão de extrema importância, visto que o transporte marítimo movimenta mais de 80% das mercadorias do mundo. Até o início do conflito, um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passava pelo Estreito de Ormuz. Seu fechamento levou a um aumento significativo nos preços dos hidrocarbonetos.

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A indústria marítima "enfrenta atualmente uma enorme pressão geopolítica. Essa volatilidade é justamente o que devemos abordar com soluções concretas, por meio do diálogo e da integração, e não por meio da guerra", declarou o presidente panamenho, José Raúl Mulino, no evento. "Os custos operacionais flutuam, as rotas são desviadas e as interrupções são a norma", acrescentou o presidente.

Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou uma operação naval para escoltar os navios comerciais bloqueados e forçar a abertura do estreito, mas cancelou-a horas depois, alegando progresso nas negociações com o Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, indicou posteriormente que a proposta dos EUA está "em análise" e que Teerã comunicará "suas opiniões" ao Paquistão, que atua como mediador.