"A proximidade do governo com Cuba tem causado um certo incômodo entre os oficiais de média patente", disse uma fonte diplomática em Caracas sob a condição de anonimato. "Chávez já havia movido peças no comando militar para evitar descontentamento. Agora, mais do que antes, precisa ter a total lealdade do Exército."
A cerimônia militar se deu três dias após o governador de Barinas, Adán Chávez, irmão do presidente, ter declarado que "a via armada poderia ser uma alternativa à via eleitoral de 2012 para assegurar a revolução". De acordo com Ángel Álvarez, analista do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Central da Venezuela, a declaração de Adán tem como objetivo mobilizar as fileiras mais radicais do chavismo. Para Álvarez, "Chávez criou um sultanato e governa sozinho".
Sua ausência, segundo ele, favorece manifestações como a de Adán e compromete ainda mais a imagem do chavismo. "Com Chávez fora do país, abre-se uma crise, porque não há instituições capazes de ativar os mecanismos constitucionais e conter as disputas internas no PSUV", disse Álvarez.