O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, denunciou um "concurso de insultos" à primeira-dama de seu país, Brigitte Macron, por parte das autoridades brasileiras. "Minha reação pessoal é que não se administram as relações internacionais organizando, qualquer que seja o país, concursos de insultos", afirmou em entrevista à rádio Europe 1."A maneira pela qual esta ou aquela alta autoridade brasileira, ministro ainda por cima, trata a sra. Macron é indigna. Da sra. Macron, da França, mas também indigna das mulheres, começando pelas brasileiras que protestam contra esse tipo de declaração", lamentou o chefe de diplomacia do país, antes de acrescentar: "O Brasil não é apenas isso, felizmente. Eu não confundo os atuais líderes do Brasil com o que é a realidade do Brasil".
Na sexta-feira, a filha de Brigitte, a advogada Tiphaine Auzière, reagiu aos comentários sobre sua mãe um vídeo postado no Twitter, com a hashtag #balancetonmiso (Entregue seu misógino). "Estamos em 2019 e líderes políticos miram uma mulher pública por causa de sua aparência. Isso ainda existe. Vamos investir em nossas famílias, em nossas empresas, e nas urnas porque, todos juntos, vamos denunciar nossos misóginos", diz ela na gravação, na qual reconhece que a França também não é um exemplo na questão, citando casos de ataques de políticos de seu país a mulheres.
#balancetonmiso# pic.twitter.com/OD2g8ADCws
— Tiphaine Auzière (@TAuziere) September 6, 2019
Na última quinta-feira, o ministro brasileiro da Economia, Paulo Guedes, pediu desculpas publicamente por ter dito que a mulher de Emmanuel Macron "é feia mesmo". Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro retirou do Facebook – "para evitar duplas interpretações" – um comentário feito em um meme, no qual um de seus eleitores ironizava Brigitte.
A imagem comparava uma foto sua séria à de uma da primeira-dama brasileira, Michele Bolsonaro, sorrindo, ao lado do marido, no dia da posse. "Entende agora pq Macron persegue Bolsonaro?", diz o post. E o presidente responde: "Não humilha cara. Kkkkkkk". Macron classificou o comentário de "extraordinariamente desrespeitoso", e Bolsonaro negou ter-se tratado de uma ofensa. "Eu não pus essa foto da sua mulher", alegou. Os internautas brasileiros inundaram as redes, condenando a atitude de Bolsonaro com a hashtag #DesculpaBrigitte.