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Chanceler russo critica na ONU "histeria militar" em relação a Coreia do Norte

Donald Trump ameaçou na terça-feira "destruir totalmente" o país asiático

Lavrov pediu que a comunidade internacional apoie a proposta da Rússia e da China em favor de uma dupla moratória
Lavrov pediu que a comunidade internacional apoie a proposta da Rússia e da China em favor de uma dupla moratória Foto : Timothy A. Clary / AFP / CP
O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, alertou nesta quinta-feira ante a Assembleia Geral da ONU que a "histeria militar" em torno da Coreia do Norte "leva ao impasse a até mesmo à catástrofe". Enquanto o presidente americano Donald Trump ameaçou na terça-feira "destruir totalmente" a Coreia do Norte, o chanceler russo defendeu uma solução política, ao mesmo tempo que condenou "o aventureirismo de Pyongyang".

Lavrov pediu que a comunidade internacional apoie a proposta da Rússia e da China em favor de uma dupla moratória: fim dos testes balísticos e nucleares norte-coreanos e dos exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Coreia do Sul. Esta ideia foi rejeitada por Washington.

Os Estados Unidos vão adotar sanções contra empresas estrangeiras que negociarem com a Coreia do Norte, um primeiro passo para eventuais medidas punitivas contra companhias chinesas e de outros países. O preisente Donald Trump assinou um decreto que permite sancionar "indivíduos e empresas que financiem ou facilitem o comércio com a Coreia do Norte", o que pode resultar em um ajuste dramático do cerco econômico em torno de Pyongyang.

Também informou que o Banco Central da China ordenou a suas filiais que limitem o comércio com a Coreia do Norte, uma decisão descrita como "audaz" e "inesperada". A medida não foi confirmada imediatamente por Pequim, mas podea representar um corte vital das divisas estrangeiras ao regime de Pyongyang.

Além disso, os 28 estados-membros da União Europeia (UE) também deram sua aprovação à adoção de sanções extras contra Pyongyang em resposta a seus testes nucleares, segundo várias fontes diplomáticas. Estas sanções serão acrescidas às adotadas pela ONU na semana passada e supõem uma proibição total para as empresas europeias de exportação petroleira ou investimentos na Coreia do Norte.

O presidente americano se reuniu com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e com o líder sul-coreano, Moon Jae-In, para avaliar as opções de que dispõem. Antes do encontro com o chefe da Casa Branca, Moon pediu em seu discurso na ONU uma redução das tensões e alertou para o risco de uma guerra acidental. "Não desejamos o colapso da Coreia do Norte", afirmou Moon. "A questão nuclear norte-coreana deve ser administrada de forma estável para que as tensões não se intensifiquem ou que confrontos militares acidentais destruam a paz", ressaltou.

Ameaça


Nunca antes a ameaça norte-corana pesou tanto no encontro anual de líderes mundiais, divididos sobre a melhor maneira de enfrentar o isolado regime de Kim Jong-un, apesar de, em agosto e setembro, terem conseguido adotar por unanimidade novas sanções contra a Coreia do Norte. O ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Yi, e seu colega russo, Sergei Lavrov, que também falarão na Assembleia, fizeram um apelo ao diálogo e alertaram que uma opção militar seria catastrófica. Em seu discurso na quarta-feira (20), Abe apoiou a posição dos Estados Unidos de que "todas as opções estão sobre a mesa" para dissuadir Kim.

Tática

No Conselho de Segurança, que se reunirá nesta quinta-feira para debater a questão nuclear, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, defenderá a implementação completa das sanções internacionais adotadas contra Pyongyang. Uma oitava bateria de sanções foi aprovada em 12 de setembro, proibindo as exportações de têxteis e reduzindo o fornecimento de petróleo para a Coreia do Norte.

Washington e seus aliados esperam que essas sanções obriguem Pyongyang a negociar o fim de seus programa militares, mas seu impacto dependerá da China, aliado da Coreia do Norte e principal sócio econômico desse país. Já Moscou e Pequim propuseram uma dupla moratória: sobre os testes norte-coreanos e sobre os exercícios militares de Estados Unidos e Coreia do Sul. Ao inaugurar a Assembleia Geral, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, alertou que "a retórica agressiva pode conduzir a mal-entendidos fatais e iniciar uma guerra nuclear".

No sábado, Guterres deve se reunir com o chanceler norte-coreano, Ri Yong-Ho, à margem da Assembleia, em busca da adesão ao diálogo. O ministro Ri, que falará ao plenário nesta sexta, chamou as ameaças de Trump de "latido de cachorro" e disse que não terão qualquer impacto.