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Chefe de Inteligência da Venezuela é denunciado por violar direitos humanos

Processo contra González López envolve investigações por "batidas arbitrárias, privações ilegítimas de liberdade"

Protestos contra Maduro já deixaram 82 mortos nos últimos três meses
Protestos contra Maduro já deixaram 82 mortos nos últimos três meses Foto : Federico Parra / AFP / CP
A procuradoria da Venezuela denunciou o general Gustavo González López, diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN), por supostas violações dos direitos humanos, informou o órgão nesta sexta-feira, elevando ainda mais a temperatura em seu confronto com o presidente Nicolás Maduro. González López é suspeito de cometer "graves e sistemáticas violações" dos direitos humanos, destaca um boletim do Ministério Público.

Ministro do Interior e Justiça até agosto de 2016, o general foi citado para prestar depoimento na próxima terça-feira, no mesmo dia em que a procuradora-geral, Luisa Ortega, deverá comparecer ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que decidirá sobre seu julgamento. Na véspera, a Procuradoria denunciou pelos mesmos crimes o general Antonio Benavides Torres, que até 20 de junho passado foi comandante da Guarda Nacional.

A denúncia contra Benavides Torres envolve supostos abusos durante protestos contra Maduro, que já deixaram 82 mortos nos últimos três meses, incluindo 23 óbitos atribuídos a policiais e militares, segundo a Procuradoria. O processo contra González López envolve investigações por "batidas arbitrárias, privações ilegítimas de liberdade" e casos de pessoas que permanecem detidas apesar da ordem de soltura.

O chefe do SEBIN – considerado pela oposição como a polícia do governo – foi alvo de sanções dos Estados Unidos, junto a outros oficiais venezuelanos, por violar os direitos humanos. A medida congelou os bens e proibiu qualquer negócio a partir do território americano com os envolvidos. Sempre circunspecto e de poucas palavras, González López é um dos militares mais ligados a Maduro, que destaca sua lealdade.

Horas após a denúncia, Maduro promoveu González López a "general em chefe". "Anuncio que hoje o general Gustavo González López, chefe do Sebin e que capturou terroristas (como o governo chama os opositores) foi promovido a general em chefe", declarou o presidente em um ato em Caracas. "A Procuradoria pretende agora perseguir os altos oficiais bolivarianos, filhos de (Hugo) Chávez, que se colocaram à frente para defender a República (...). Quero que o povo os apoie".

A Procuradoria realiza 450 investigações por violações dos direitos fundamentais com base na repressão dos protestos contra Maduro, incluindo lesões causadas a 853 pessoas pelas forças de segurança. As investigações já evidenciaram o "uso excessivo da força, o emprego de armas de fogo não autorizadas, tratamento cruel e tortura", além de batidas sem autorização judicial e danos a propriedades.

Na quarta-feira passada, Ortega denunciou que na Venezuela há "terrorismo de Estado", em uma de suas mais duras acusações contra o governo Maduro. Ortega, uma chavista histórica, afirma que Maduro quebrou a ordem constitucional ao convocar uma Assembleia Constituinte sem consulta em referendo.