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Chile denuncia a Bolívia ante a Tribunal Internacional sobre acesso ao mar

Delegação boliviana reclama obrigação legal de conexão territorial

Delegação boliviana reclama obrigação legal de conexão territorial
Delegação boliviana reclama obrigação legal de conexão territorial Foto : Jorge Bernal / AFP / CP
O Chile denunciou nesta quarta-feira a Bolívia, que reclama ante o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) que obrigue seu vizinho a negociar um acesso ao Oceano Pacífico. "A Bolívia apresentou um caso de hipérbole e distorsão. A Bolívia desenhou um Chile como se estivesse asfixiando a Bolívia", afirmou em Haia Claudio Grossman, o representante chileno ante a corte em suas conclusões finais.

O Chile expôs nesta quarta-feira seus argumentos na segunda semana de audiências ante o TIJ, depois que a Bolívia apresentou os seus na terça, encerrando assim a etapa oral ante a corte. O veredicto só será conhecido dentro de alguns meses.

Depois das intervenções dos advogados chilenos, que defenderam as razões pelas quais consideram que não existe uma obrigação legal de negociar o acesso ao mar, Grossman assegurou que a Bolívia pode ter acesso facilmente ao Pacífico graças às infraestgruturas existentes. "Não há um muro entre o Chile e a Bolívia, não há nenhum muro entre a Bolícia e o Oceano Pacífico, não há muros entre a Bolívia e seus demais vizinhos", afirmou.

A Guerra do Pacífico de 1879-1883 fez com que a Bolívia perdesse 120 mil km² de território e seus únicos 400 km de litoral no Pacífico em favor do Chile. Em 2013, o governo boliviano levou o Chile ante o TIJ. A Bolívia pede ao TIJ que determine uma negociação de boa fé com o Chile para resolver a questão do acesso ao mar.

Bolívia defende obrigação do Chile de negociar saída para o mar

A Bolívia defendeu na última terça-feira perante a Corte Internacional de JustiçaI (CIJ) a obrigação do Chile de negociar um acesso soberano ao Oceano Pacífico, em virtude dos contatos diplomáticos e resoluções da Organização dos Estados Americanos (OEA).

"A Assembleia Geral é o órgão supremo da OEA e quando emite uma resolução, há pelo menos uma obrigação (...) de responder de boa fé", declarou a especialista da delegação boliviana, Amy Sander, referindo-se às resoluções adotadas por este organismo entre 1979 e 1989.

Em sua ação movida em 2013 contra o Chile perante a CIJ, a Bolívia destaca a resolução 1979, pela qual a OEA exorta La Paz e Santiago a "negociar para dar à Bolívia uma conexão territorial livre e soberana ao Oceano Pacífico". O governo boliviano também baseou a sua defesa nos contatos diplomáticos entre os dois, especialmente no século XX.

O ex-secretário-geral da OEA de 2005 a 2015, o senador chileno José Miguel Insulza, rejeitou essa posição ante a imprensa, garantindo que não há base legal "em resoluções de organizações internacionais. Não existe base jurídica para dizer que um país é obrigado a isso, a menos que ele o faça explicitamente".

O Chile também criticou a Bolívia por sua relação dúbia com este organismo com sede em Washington, especialmente depois que o governo de Evo Morales acusou em novembro seu atual secretário-geral, Luis Almagro, de interferir nos assuntos do país.