Convocadas pela Associação de Familiares de Presos Desaparecidos, milhares de pessoas se concentraram no centro de Santiago, levando bandeiras chilenas e cartazes em defesa da educação pública. Os manifestantes seguiram pelas ruas da capital, mas não conseguirão se aproximar do palácio presidencial de La Moneda, cercado pelas forças de seguranã.
No local, em 11 de setembro de 1973, chegou ao fim o governo socialista de Salvador Allende, o primeiro e único marxista a chegar ao poder na América Latina pelas urnas, morto em meio ao bombardeio aéreo e terrestre ao palácio, por golpistas liderados por Augusto Pinochet. Uma investigação em curso, aberta em janeiro passado, chegou à conclusão que Allende se suicidou, com um fuzil presenteado pelo amigo, o ex-presidente cubano Fidel Castro.
A marcha foi encerrada com incidentes nas imediações do cemitério geral, quando um grupo de encapuzados enfrentou a polícia, atirando pedras e paus nos agentes, queimando pneus e outros objetos, além de atacar jornalistas e fotógrafos. A polícia usou jatos d'água e granadas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.
Foram também registrados distúrbios menores, depois da instalação de barricadas, em bairros da periferia de Santiago e no porto vizinho de Valparaíso, com a detenção de quatro pessoas; um policial ficou ferido. Prevendo mais incidentes para a noite, o governo anunciou uma operação especial, enquanto o comércio fechou mais cedo suas lojas, para evitar incidentes.
Pinochet morreu aos 91 anos – no dia 10 de dezembro de 2006 – sem ter sido condenado pela Justiça, apesar de inúmeros processos abertos contra ele por violações aos direitos humanos e enriquecimento ilícito.