"Chile ayuda Chile”. Esta frase pode ser vista estampada em vidros de carros, ônibus, em portas de bancos, farmácias entre outros estabelecimentos que de alguma forma resistiram ao impacto do forte terremoto que abalou o Chile na madrugada de de 27 de fevereiro. Transitar pela Ruta 5 (principal estrada que liga o país de Norte a Sul), uma semana depois do tremor de terra, é testemunhar que os chilenos, carregam com orgulho a palavra “solidariedade”.
Durante o trajeto da reportagem da Rádio Guaíba e Correio do Povo, entre a capital Santiago e a província de Curicó – cerca de 200 quilômetros ao sul de Santiago e uma das áreas mais destruídas pelo terremoto – centenas de carros e caminhões levavam materiais de higiene, roupas, colchões e remédios para ajudar as vítimas do pior terremoto dos últimos 20 anos.
Na madrugada deste domingo, a campanha “Chile ayuda Chile”, divulgada em todo o território do país, arrecadou mais de U$ 59 milhões. Todo esse dinheiro será investido para reerguer a nação, onde muitas cidades estão em ruínas. Das 10h da manhã de sábado até a meia-noite de domingo, todas as agências bancárias do Santander e Banco do Chile ficaram abertas, atendendo à população, que ia em massa, realizar depósitos em dinheiro para ajudar as vítimas afetadas pelo terremoto. Nos principais supermercados, os funcionários que trabalhavam nos caixas, sempre perguntavam ao cliente: “Queres deixar uma quantia qualquer para ajudar as vítimas do terremoto?”
Tudo mudou em Curicó em poucos minutos após o terremoto de 8.8 graus na escala Richter. A história da cidade, com pouco mais de 90 mil habitantes, não será mais a mesma. Parte crucial de seu rosto, de sua essência urbana e arquitetônica foram destruídas pela energia liberada da natureza. Fundado em 13 de novembro de 1898, o prédio onde funcionava o jornal LA PRENSA, ficou em ruínas. O edifício era patrimônio arquitetônico e histórico na cidade.
Centenas de famílias que residem na província, no sul do Chile, optaram por dormir nos pátios de suas casas após o forte tremor de terra ocorrido. A reportagem foi recebida pela família do chileno Victor Rojas, de 48 anos. Ele é caminhoneiro e faz transporte de cargas entre o Chile e o Brasil. No dia em que ocorreu o terremoto, estava em São Paulo. “Liguei na hora para minha esposa e meus filhos, mas não consegui falar com eles. Fiquei desesperado com a notícia”, disse. Horas mais tarde, conseguiu completar o contato e ficou sabendo que todos estavam bem. Devido às réplicas (de baixa intensidade) de tremores que vêm ocorrendo diariamente na região, a família Rojas prefere “acampar no pátio da casa”. Na tenda improvisada, dormem oito pessoas, inclusive os avós e o pequeno Franco Abarca, um bebê de 1 ano e três meses. “Franco está traumatizado com o terremoto. Quando passa um avião, ele começa a chorar por causa do barulho”, disse a mãe da criança, Ana Gaete de 30 anos.
Chilenos fazem campanha para reconstruir a nação
População exercita solidariedade e estampa "Chile ayuda Chile” em fachadas e carros