A China chamou nesta sexta-feira de "imorais" as declarações de Eduardo Bolsonaro, que acusou Pequim de esconder informações sobre a pandemia de Covid-19, abrindo uma crise diplomática com o gigante asiático. Procurado para reagir às declarações, o vice-diretor do Departamento de Informações do Ministério de Relações Exteriores, Geng Shuang, denunciou os comentários como "imorais e irresponsáveis". "Desde o início da epidemia, a China adotou as medidas de prevenção e de controle mais rigorosas, abrangentes e mais completas de maneira aberta, transparente e responsável", afirmou.
Na quarta-feira, no Twitter, o filho do presidente Jair Bolsonaro, escreveu que "uma ditadura preferiu esconder algo grave a expor tendo desgaste, mas que salvaria inúmeras vidas. A culpa é da China e liberdade seria a solução". Em sua mensagem, traçou um paralelo com "a ditadura soviética", que inicialmente ocultou a escala do desastre nuclear de Chernobyl em 1986. A China é o primeiro parceiro comercial do Brasil, que exporta para o gigante asiático matérias-primas, em especial minério de ferro, carne e soja.
Na quinta, o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, exigiu que Eduardo Bolsonaro "se desculpasse com o povo chinês". Ele também retuitou uma mensagem de um internauta que descreveu a família Bolsonaro como o "grande veneno do Brasil", de acordo com uma captura de tela feita pela imprensa brasileira, antes que a mensagem pouco diplomática fosse apagada.
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, se distanciou de Eduardo Bolsonaro, explicando que as declarações do deputado de 35 anos "não refletiam a posição do Brasil". Contudo qualificou como inaceitável a postura de Wanming de compartilhar a mensagem critricando o presidente do Brasil.
Sobre postagens recentes e a relação Brasil-China: pic.twitter.com/8jxfYoBaQy
— Ernesto Araújo (@ernestofaraujo) March 19, 2020