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China eleva juro de bancos para conter crédito

Medida levantou nervosismo entre investidores sobre os riscos econômicos globais, favorecendo o dólar

Depois de elevar os juros interbancários em dois bônus do governo – o de três meses e o de um ano – a China anunciou nesta terça-feira o aumento do compulsório em 0,5% a partir de segunda-feira, dia 18. Está é a primeira elevação desde que o governo do país adotou uma política monetária moderadamente frouxa em novembro de 2008. As ações refletem as crescentes preocupações do governo de que o crédito bancário em rápida expansão possa estimular bolhas e aumentar o risco de inflação.

As notícias sacudiram os mercados de câmbio, com o dólar se firmando em relação ao euro, enquanto o dólar australiano despencou. A medida levantou nervosismo entre os investidores sobre os riscos econômicos globais, favorecendo o dólar na busca por apostas menos arriscadas. No caso do dólar australiano, o receio é de que os esforços para esfriar a recuperação chinesa possam prejudicar a economia da Austrália, bastante exposta à China.

Na opinião do Barclays Capital, o aumento do compulsório é mais uma ferramenta, embora mais poderosa, para o banco central gerenciar a liquidez interbancária e o juro básico na China deve ser elevado duas vezes no segundo semestre, em um total de 54 pontos-base.

"Continuamos acreditando que, conforme a inflação pelo CPI sobe para superar o juro de depósito para um ano até meados de 2010, juros reais negativos vão provocar elevações do juro básico no segundo semestre", disse o Barclays Capital, em relatório. "O risco para essa previsão é um aumento na inflação mais rápido que o previsto, o que corresponderia a um ritmo mais rápido que o esperado no aperto monetário", acrescentou.

Mais cedo, o Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) vendeu 20 bilhões de yuan em bills de um ano a 1,8434% em sua operação semanal de mercado aberto, após manter o yield do papel inalterado em 1,7605% desde 11 de agosto. Na última quinta-feira, o PBOC elevou o yield de seus títulos de três meses em quatro pontos base (0,04 ponto porcentual), para 1,3684%, o primeiro aumento desde 13 de agosto.

Num aparente movimento para enxugar o excesso de liquidez no sistema bancário, o PBOC também ofereceu um volume recorde de 200 bilhões de yuan em acordos de recompra de 28 dias a 1,18% nesta terça-feira. Esse montante é quase o triplo dos 75 bilhões de yuan em acordos de recompra de 28 dias que o PBOC ofereceu há uma semana. O PBOC conduz regularmente operações de mercado aberta às terças e quintas-feiras.

Na primeira semana de janeiro, os novos empréstimos em yuan totalizaram 600 bilhões de yuans, cerca de 8% da meta de 7,5 trilhões de yuans para o ano. Nos últimos três anos, os novos empréstimos de janeiro totalizaram cerca de 16% do total do ano todo, observou o Barclays.

"A elevação do compulsório deve ajudar a apertar a liquidez interbancária de maneira poderosa; o aumento de 0,5% deve congelar cerca de 300 bilhões de yuans em fundos nos bancos, comparado com os saques líquidos de 180 bilhões de yuans por meio de operações no mercado aberto na semana passada", afirmou o Barclays.

Segundo o relatório do banco, a medida também "envia um sinal aos bancos para considerar liquidez futura e custos de financiamento ao gerenciarem o ritmo de empréstimos aos clientes". "Futuras elevações do compulsório são possíveis e vão depender das condições de liquidez no interbancário e do ritmo de empréstimos bancários."