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China executa dois por escândalo do leite contaminado

Seis crianças morreram e 300 mil ficaram doentes em janeiro após consumir o laticínio

China executa dois por escândalo do leite contaminado
China executa dois por escândalo do leite contaminado Foto : AFP
Duas pessoas foram executadas nesta terça-feira na China, após condenações anunciadas em janeiro, pelo caso do leite contaminado que matou seis crianças e deixou 300.000 doentes, informou a agência oficial Nova China. Os dois executados, Zhang Yujun e Geng Jinping, foram condenados à pena capital por um tribunal de Shijiazhuang, capital de Hebei (norte), em janeiro pelo envolvimento no caso, revelado em setembro de 2008. No total, 22 empresas colocaram no mercado produtos adulterados com melamina, uma substância destinada à fabricação de colas, resinas ou adubos que simula, nos testes de controle, um reforço de proteínas. A manipulação permitia aumentar os volumes e, portanto, os lucros.

A melamina provocou nos bebês e nas crianças contaminadas graves problemas renais. O caso transformou-se em enorme escândalo na China e além de suas fronteiras, com a retirada dos mercados de todo o mundo de produtos lácteos chineses. Zhang, que produziu o leite em pó que continha melamina e vendeu 600 toneladas do mesmo, foi condenado à morte por ter colocado em risco a segurança pública entre julho e agosto de 2008.

Geng foi condenado por ter vendido 900 toneladas de leite contaminado à empresa Sanlu, eixo do escândalo, que faliu logo depois. Durante o processo, no qual foram julgados 21 acusados, um terceiro homem foi condenado à pena de morte com direito a sursis, que deve ser transformada em prisão perpétua. A Sanlu foi acusada de abafar o caso durante vários meses antes de avisar as autoridades locais, que também demoraram para reagir, às vésperas da abertura das Olimpíadas de Pequim. Nenhum político teve que prestar contas à justiça.

Parentes de vítimas e advogados estranharam o fato de um escândalo tão grande, envolvendo 22 empresas de lacticínios, ter sido concluído com um processo contra apenas 21 pessoas. Tian Wenhua, ex-presidente da Sanlu e ex-integrante do Partido Comunista Chinês (PCC), foi condenada à prisão perpétua. Ela era a mais alta personalidade julgada neste caso.