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Choques entre manifestantes pró e anti Mursi causam mortes no Egito

Ao menos 26 perderam a vida durante confrontos após Exército destituir presidente

Choques entre manifestantes pró e anti Mursi causam mortes no Egito
Choques entre manifestantes pró e anti Mursi causam mortes no Egito Foto : Mohamed El Shahed / AFP / CP
Dezenas de milhares de partidários da Irmandade Muçulmana, incitados por seu líder decidido a manter a mobilização, protestaram nesta sexta-feira nas ruas de várias cidades egípcias. As manifestações que exigem o retorno do presidente Mohamed Mursi, derrubado pelo Exército, aumentaram o clima de tensão e resultaram em confrontos com mortes. De acordo com a rede de TV americana CNN, pelo menos 26 teriam perdido a vida.

Ao final de uma jornada de manifestações organizadas por militantes favoráveis e contrários a Mursi, confrontos eclodiram nas imediações da Praça Tahrir. No registro mais recente das manifestações, a rede de televisão estatal anunciou a morte de duas pessoas nos choques ocorridos no Cairo. Centenas de pessoas ficaram feridas, com os veículos oficiais informando 850 atendimentos em hospitais. Entre os mortos estariam cinco apoiadores de Mursi que teriam sido alvejados pelo Exército ao protestar em frente do suposto local em que o presidente deposto está preso.

Tiros ainda podiam ser ouvidos e os dois campos se atacavam com pedras na ponte 6 de Outubro, perto da praça emblemática da capital egípcia, onde estavam reunidos milhares de opositores ao presidente islamita. O Exército anunciou que vai intervir para separar os manifestantes. Mobilizados para uma "Sexta-feira de recusa ao golpe de Estado militar e ao Estado policial", os pró-Mursi foram à sede da televisão estatal depois de terem se reunido na periferia do Cairo.

Antes disso, o guia supremo da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, apresentou-se diante da multidão para estimular os partidários do movimento a permanecerem nas ruas "aos milhões" até que o presidente deposto seja restituído ao poder. "Nós já vivemos sob um regime militar e não o aceitaremos novamente", alertou. Badie se referiu, com isso, aos 16 meses em que o Exército assumiu as rédeas do executivo entre a saída de Hosni Mubarak, derrubado por uma revolta popular em fevereiro de 2011, e a eleição de Mursi em junho de 2012.

Durante seu discurso, helicópteros militares sobrevoavam a multidão a baixa altitude. As novas autoridades estabelecidas pelo Exército, após a deposição de Mursi na quarta, pareciam determinadas a formular rapidamente um "mapa do caminho" que deve levar a eleições antecipadas. O presidente interino, Adly Mansour, nomeado pela instituição militar, dissolveu a câmara alta, que era dominada pelos islamitas, em seu primeiro decreto. Ele também nomeou um novo chefe do serviço de inteligência.

Mas essas decisões podem aumentar novamente a tensão em um país profundamente dividido, e confrontos envolvendo soldados e manifestantes contrários e favoráveis a Mursi têm sido registrados durante esta sexta. Cerca de 60 pessoas já morreram no Egito desde 26 de junho. Após uma onda de detenções de lideranças da Irmandade Muçulmana, à qual pertence Mursi, o procurador-geral anunciou que operações de busca e apreensão serão realizadas contra nove delas -incluindo Badie- como parte de uma investigação por incitação ao assassinato de manifestantes.

À tarde, milhares de partidários de Mursi deixaram uma mesquita de Nasr City, no subúrbio do Cairo, gritando "Mohamed Mursi é nosso presidente" e "Traidores!", e chegaram à entrada da sede da Guarda Republicana, situada perto do palácio presidencial. Depois, eles tentaram afixar nas barreiras de arame farpado que cercam o edifício uma imagem do ex-chefe de Estado, ainda detido pelo Exército, bradando em diversas oportunidades advertências aos soldados. Tiros foram disparados, matando quatro pessoas, segundo a agência oficial Mena. Eles anunciaram que realizarão um 'sit-in' (manifestação em que as pessoas se mantem sentadas) diante do prédio até o restabelecimento do presidente.

Enquanto isso, de acordo com a Mena, uma pessoa morreu e 120 ficaram feridas em confrontos em Alexandria entre manifestantes defensores de Mursi e contrários ao mandatário deposto, que tiveram a intervenção das forças de ordem, enquanto em Assiout (sul) uma pessoa morreu durante enfrentamentos entre partidários do ex-chefe de Estado e as forças de segurança, que também deixaram 19 feridos. Em resposta à "Sexta-feira de recusa", a oposição a Mursi convocou grandes manifestações, em particular para domingo, "em defesa da revolução de 30 de junho".