Manifestações não são comuns no país, presidido há 23 anos por Zine El Abidine Ben Ali. A revolta começou por causa do aumento do desemprego e da elevação no preço dos alimentos. Estudantes, advogados e professores participaram ativamente dos protestos.
No mês passado, ganhou espaço no noticiário a história de um rapaz de 26 anos que ateou fogo no próprio corpo, em protesto contra a ação da polícia, que confiscou mercadorias que ele vendia na rua. Mohammed Bouazizi, que tinha diploma universitário e não conseguia emprego, morreu por causa das queimaduras. O ato de desespero de Bouazizi, em 17 de dezembro, acabou por tornar-se um símbolo dos manifestantes tunisianos.
Na vizinha Argélia, o aumento no preço dos alimentos também levou a protestos na semana passada. Duas pessoas morreram durante manifestações realizadas em várias cidades ao mesmo tempo. A calma voltou no domingo, depois de quatro dias de manifestações e choques com as forças de segurança.
Parte do comércio ficou fechada durante os protestos e os trens pararam de circular. No sábado, o governo anunciou a suspensão da cobrança de impostos de importação sobre o açúcar e o óleo de cozinha, na tentativa de conter a subida dos preços.