"A pessoa não consegue se dar conta da monstruosidade do tsunami sem vir aqui para vê-lo com seus próprios olhos", afirmou Akira Shindo, um japonês de 15 anos que mora em Nova York. O jovem se inscreveu em um tour pelo litoral nordeste do arquipélago, onde uma onda gigantesca arrasou no dia 11 de março de 2011 tudo o que encontrou pela frente.
O tsunami e o terremoto que o precedeu, de magnitude 9, deixaram ao menos 18 mil mortos. Um dos principais atrativos deste "Tsunamiland" é o único pinheiro que ficou de pé. Os outros 70 mil foram arrancados pelas forças da natureza.
O "pinheiro milagroso" também acabou morrendo, corroído pela água marinha, mas foram investidos 150 milhões de ienes (1,6 milhão de dólares) para reconstituí-lo. "Era a árvore mais alta, de 27 metros", afirma Mitsuko Morinaga, um guia voluntário de 62 anos que leva os turistas pela cidade ainda desfigurada pela fúria da terra e dor mar.
"Queria impedir que a lembrança do desastre se apagasse", disse Shuichi Matsuda, agente de viagem. Em Louisiana (sudeste dos Estados Unidos), muitos turistas seguem visitando os bairros de Nova Orleans que ficaram há sete anos sob as águas do furacão Katrina.
Os moradores de um bairro reconstruído, saturados pela curiosidade mórbida de muitos visitantes, obtiveram a proibição deste tipo de excursões. Em um cruzamento, um cartaz afirma: "Turistas, se envergonhem. Sigam seu caminho. Estão pagando por minha dor. Aqui morreram 1,6 mil pessoas".