"Hoje vivemos momentos de preocupação, momentos de tensão, de oração com nosso comandante presidente. Foi uma operação complexa, os médicos mantiveram comunicação permanente conosco (...) e aqui na Venezuela vivemos momentos complexos, mas graças a esta humanidade gigante do nosso comandante, outra vez mostrou sua fortaleza", afirmou Maduro. "O comandante já está no quarto iniciando os tratamentos especiais, agora começa a etapa pós-operatória, que vai durar vários dias", destacou. "Comandante, aqui estamos lhe esperando, ouviu?! Você tem que voltar e todos estão esperando, nós, seus filhos", disse Maduro, visivelmente emocionado na mensagem em rede nacional de rádio e TV.
"Com sinceridade, falamos aos adversários, opositores, aos inimigos da nossa pátria: Chega deste veneno, parem com o ódio contra o comandante Chávez! Convocamos todos os venezuelanos a eleger governadores e governadoras no domingo para que a vida da República siga fortalecida", falou. "Nas próximas horas vamos ficar muito atentos. Pedimos a Deus, ao doutor José Gregorio Hernández e a todos os espíritos de boa energia que abençoem o comandante."
A operação, a quarta de Chávez em Cuba para combater um câncer, durou seis horas e "foi uma intervenção cirúrgica corretiva da lesão que retornou ao mesmo local dos antigos tumores", explicou o vice-presidente. Após a mensagem em rede nacional, Maduro seguiu para a Praça Bolívar e cantou o hino nacional com uma multidão que gritava: "queremos Chávez, queremos Chávez, viva o comandante". A concentração na Praça Bolívar incluiu uma missa com velas, imagens de santos e bandeiras da Venezuela, com a leitura de salmos e cânticos populares. Entre os assistentes muitos militares e membros das milícias armadas criadas por Chávez.
O governo tem mantido segredo sobre o tipo e o local do câncer que atinge Chávez, 58 anos. O presidente chegou na manhã de segunda-feira a Havana para se submeter à quarta intervenção cirúrgica desde que foi detectado o câncer, em junho de 2011. O presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que Chávez enfrenta uma "operação muito delicada" contra o câncer. "Está passando por um dos momentos mais duros de sua vida o querido amigo, colega e líder latino-americano, o comandante Hugo Chávez"."Realmente é um presidente histórico e espero que saia totalmente recuperado do problema de saúde que enfrenta", apontou Correa, que durante um ato político pediu um "forte aplauso" para seu colega venezuelano. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, enviou a Chávez "uma saudação muito especial" e fez "votos por sua pronta recuperação".
Na noite de sábado, em uma mensagem de transmissão obrigatória para todas as televisões e rádios do país, Chávez anunciou sua recaída e uma nova "cirurgia imprescindível" na capital cubana.O governo manteve absoluto sigilo a respeito dos detalhes do câncer de Chávez, do qual se tratou principalmente em Havana, afastado da imprensa nacional. O presidente anunciou que Maduro assumiria a presidência temporária até que fossem convocadas novas eleições, em que o vice-presidente e também chanceler seria o candidato governista.
Nunca antes, nem em outros momentos críticos de sua doença, o presidente tinha insinuado a possibilidade de um sucessor.Chávez disse antes de sua partida que "delegava o alto comando político" a Maduro. Desde que anunciou sua recaída, houve diversos atos e manifestações de solidariedade e apoio à saúde de Chávez, que no dia 7 de outubro foi reeleito para um terceiro período de seis anos.Nesta terça-feira, foram celebradas missas em apoio ao presidente, em vários pontos do país.Vários presidentes latino-americanos expressaram seu apoio, entre eles do presidente do México, Enrique Peña Nieto, e a presidente argentina, Cristina Kirchner.
Militantes se concentraram na Praça Bolívar e rezaram para Hugo Chávez / Foto: Juan Barreto / AFP / CP