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Clientes comemoram lançamento do Brexit em bar no Reino Unido

Ministra Theresa May enviou carta de rompimento ao presidente do Conselho Europeu nesta quarta-feira

Clientes comemoram lançamento do Brexit em bar no Reino Unido
Clientes comemoram lançamento do Brexit em bar no Reino Unido Foto : Daniel Sorabji / AFP / CP
Em Sunderland, terra pró-Brexit no Nordeste da Inglaterra, moradores animados com o início nesta quarta-feira do processo de divórcio da União Europeia exortavam sua primeira-ministra Theresa May a impor suas condições "Somos nós que estamos partindo. Isto deve ser feito segundo nossos termos", declarou Tom Curras, um mineiro aposentado. "Devemos dizer a eles, 'estamos saindo, vamos fazer negócios com o mundo - é pegar ou largar", acrescenta ele que trabalhou na mina local, antes de ser fechada na década de 1980.

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May enviou sua carta de rompimento ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, explicando querer estabelecer uma nova parceria "estreita e especial" com Bruxelas. Mas as discussões poderiam tropeçar na fatura de saída exigida pela UE, estimada em cerca de 60 bilhões de euros, e no acesso ao mercado europeu que os 27 estão dispostos a conceder a Londres.

Sunderland, cidade industrial de cerca de 275 mil habitantes, votou pelo Brexit (61%) durante o referendo de 23 de junho, quando o país decidiu pela ruptura com o bloco europeu. Nove meses depois, o desejo de que o divórcio se materialize permanece forte. "Não acredito que deveríamos ser dominados por outros países, o que é o caso", afirma Tom Curras, sentado no pub Wheatsheaf Hotel, no centro da cidade. "A União Europeia foi criada como uma aliança comercial, mas tornou-se uma aliança política com pessoas que nos dominam", acrescenta ele, olhando na TV seu país virar uma página da história.

Traidores

Diante de um punhado de pró-europeus agitando bandeiras europeias para expressar seu desacordo, o seu vizinho de bar Colin Haworth irrita-se, sentado na frente de sua cerveja. "Por que há pessoas no centro de Sunderland acenando bandeiras europeias justo hoje, dia em que nossa primeira-ministra nos tirou deste acordo europeu? São traidores", reclama. "Ganhamos ... e saímos. É simples assim", declara, antes de convidar os descontentes a "escapar da Europa".

Mas na cidade, onde a gigante japonesa Nissan instalou a maior fábrica de automóveis do país, o Brexit também provoca preocupações. "A Nissan é uma grande empresa japonesa, para onde ela irá... Eu realmente não sei, espero que tudo permaneça o mesmo", afirma Wayne Teller, um homem de cerca de 40 anos e cabeça raspada. Do lado de fora, o pequeno grupo de manifestantes grita: "Os europeus são bem-vindos aqui".

"O Brexit significa que vamos nos virar para nós mesmos e nos defender de não sei o quê", disse um deles, David Hardman, de 49 anos. "É pensar que podemos fazer melhor, quando já poderíamos ter começado com o resto do mundo, já poderíamos ter feito tudo o que aqueles que defendem o Brexit reclamam", ressalta. "Fazer parte da União Europeia significava ter um mercado no qual comercializávamos com sucesso e vamos perder grande parte disso", argumentou.

Paul Austin, barba branca e camisa azul nas cores da bandeira europeia, quer acreditar que "as pessoas vão acabar perceber que a UE nos oferece imensas vantagens em termos de direitos trabalhistas, proteção do meio ambiente, por exemplo, ou simplesmente pelo fato de trabalharmos juntos. Isso trouxe paz à Europa depois de duas terríveis guerras mundiais.