O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou nesta quarta-feira, em Havana, o acordo com o líder das Farc, Timoleón Jiménez, conhecido como Timochenko, para um tratado final de paz em até seis meses. "Não vai ser uma tarefa fácil porque faltam muitos pontos difíceis para acertar, mas esta é a instrução que demos às nossas delegações", disse o presidente colombiano, que fez uma escala em Havana para assistir à assinatura de um acordo de criação de "uma jurisdição especial para a paz", relatou Santos na presença de Raúl Castro.
Ele espera que o acordo final possa estar pronto no máximo até 23 de março de 2016, mas Timochenko afirmou que a guerrilha fará "o máximo esforço para tentar cumprir antes". O acordo sobre justiça "vai gerar, sem dúvida, ambiente propício para avançar sobre convênios nos demais temas da agenda" de paz, declarou Timochenko. "Estamos dispostos a assumir responsabilidades por nossas atuações ao longo da resistência", enfatizou.
Timochenko destacou que esse novo sistema de Justiça foi desenhado "para todos os envolvidos no conflito e não apenas para uma das partes" e "abre possibilidades de oferecer verdade detalhada e plena" sobre o conflito. Até hoje, o número de vítimas chega a 220 mil mortos e seis milhões de deslocados. "Não fizemos um acordo sobre um sistema extrajudicial, pelo contrário. Acertamos uma jurisdição especial para a paz", explicou Santos.
Logo após o anúncio, a promotoria da Colômbia anunciou a suspensão dos processos contra membros da cúpula das Farc por "graves violações dos direitos humanos". "Em virtude deste acordo em matéria de justiça transicional, dei instruções muito precisas para que se suspendam todas as ações que estavam programadas contra a cúpula das Farc por graves violações dos direitos humanos", disse o promotor-geral, Eduardo Montealegre.
Santos fez uma viagem surpresa a Havana, onde as negociações são celebradas. Esta foi a primeira vez que ele apareceu nas negociações que ele pôs em andamento há quase três anos, em cujo sucesso apostou sua presidência. Também foi a primeira vez que se encontrou frente a frente com Timochenko. "Estamos, agora, mais perto de conseguir a paz que o povo irmão colombiano tanto deseja e merece. A paz na Colômbia é não apenas possível, é indispensável", celebrou Raúl Castro, na cerimônia que contou com a presença de diplomatas de Noruega e Cuba.
Colômbia anuncia acordo de paz com as Farc em até seis meses
Líder da guerrilha prometeu total cooperação para reduzir prazo para acerto