Mundo

Colômbia cancela contrato de obra com Odebrecht

Construtora teria pagado propina de 6,5 milhões de dólares para obter concessão

Colômbia cancela contrato de obra com Odebrecht
Colômbia cancela contrato de obra com Odebrecht Foto : Frame Photo / Folhapress / CP
A Agência Nacional de Infraestrutura (ANI) da Colômbia cancelou um contrato de construção de uma rodovia com uma concessionária que tem a participação da Odebrecht, a empreiteira brasileira no centro do maior escândalo de corrupção na América Latina.

• Peru retira concessão da Odebrecht para gasoduto milionário

A ANI e a Concessionária Rota do Sol S.A.S , da qual a Odebrecht faz parte, chegaram a um acordo para o término do contrato, assinado em dezembro de 2009 e atribuído após o pagamento de um suborno milionário, informou a agência. "O acordo determina a reversão da infraestrutura viária do projeto acordado com a concessionária, assim como o fim do contrato", afirma um comunicado.

Assim que receber o aval da justiça para concluir o acordo, a reversão tem início, com uma avaliação das obras no corredor viário e das atividades pendentes do projeto, completa a nota. O contrato em questão é um convênio para a construção da Rota do Sol - Trecho 2, um trajeto de mais de 500 quilômetros que liga o centro do país ao Caribe e que em 31 de dezembro
registrava 54% de conclusão.

De acordo com a Procuradoria, para obter o contrato da obra, a empresa brasileira pagou uma propina de 6,5 milhões de dólares ao então vice-ministro dos Transportes Gabriel García, que admitiu as acusações após sua detenção em janeiro. García ocupou o cargo durante o governo de Álvaro Uribe (2002-2010), quando o contrato foi assinado. O acordo, alcançado após "várias semanas de negociações", contempla que a concessionária renuncia "expressamente a suas pretensões econômicas formuladas ante o tribunal de arbitragem que chegavam 700 bilhões de pesos (quase 240 milhões de dólares)".

Na semana passada, a estatal Superintendência de Indústria e Comércio ordenou à ANI "dar por encerrado de maneira imediata o contrato por ter sido assinado em violação a uma proibição legal". Por ordem da superintendência, a ANI deve "estruturar e antecipar" uma nova licitação pública que assegure a execução da obra. De acordo com o governo, a Odebrecht assinou três convênios com o Estado colombiano: a Rota do Sol setor 2 em 2010, a via Porto Boyacá - Chiquinquirá (centro) em 2012 e outro para dar navegabilidade ao rio Magdalena, o afluente mais importante do país,
em 2014.

Pelos casos de corrupção Odebrecht foram detidos na Colômbia o já citado García, o ex-senador Otto Bula, acusado de favorecer um aditivo no contrato da Rota do Sol 2 em 2013, e o engenheiro Andrés Cardona, por supostas propinas em uma obra em Bogotá em 2009. Também está sendo investigado o suposto uso de dinheiro da Odebrecht na campanha de reeleição do presidente Juan Manuel Santos, e de seu adversário, Oscar Iván Zuluaga, em 2014.