Santos rejeitou a disposição das Farc de decretar um cessar-fogo por ocasião do início das negociações, no próximo dia 8 de outubro, em Oslo, argumentando que "se fizerem isto, vão exigir que façamos o mesmo". "É normal, mas não acho viável, não é realista. Eles podem pedir o que desejarem, mas até aceitarmos vai um longo caminho". Em entrevista coletiva na quinta-feira o comandante das Farc, Mauricio Jaramillo, confirmou a posição do grupo nas negociações "Vamos pedir o cessar-fogo imediatamente após nos sentarmos na mesa", disse.
O presidente manifestou sua posição em entrevistas na noite de quinta-feira e nesta sexta, após se reunir com mais de 50 generais e almirantes das Forças Armadas no forte Tolemaida, em Bogotá. "Deve ser uma mesa (de negociação) séria, realista e eficaz. Se escutarmos propostas que não são realistas o processo não será eficaz", disse após reunião. Santos pediu aos militares "que intensifiquem sua ação" e reafirmou que "não haverá qualquer tipo de cessar-fogo até que se chegue a um acordo final, e isto precisa ficar muito claro".
No passado, cessar-fogo reforçou Farc
O presidente colombiano não quer repetir "os erros do passado", exatamente há dez anos, quando a criação de uma área desmilitarizada de 42 mil quilômetros quadrados no Sul da Colômbia reforçou a guerrilha e minou o diálogo. "Não vamos ceder um centímetro de território", reforçou. "Não vai haver nenhum tipo de cessar-fogo aqui até se chegar a um acordo final", disse o presidente após o encontro com os generais.
As Farc e governos colombianos realizaram três negociações frustradas – a última há uma década com o governo de Andrés Pastrana.
As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, fundadas em 1964 e que contam atualmente com cerca de 9,2 mil guerrilheiros, são a guerrilha mais antiga da América Latina. Na Colômbia também está ativa a guerrilha guevarista Exército de Libertação Nacional (ELN), com 2,5 mil combatentes.