A Colômbia interrompeu a compra de armamento dos Estados Unidos, depois que Washington retirou a certificação do país como aliado antidrogas, anunciou, nesta terça-feira (16), o ministro do Interior. Na segunda-feira (15), o governo de Donald Trump considerou insuficiente os esforços de Bogotá para conter o narcotráfico e deixou de reconhecê-lo como parceiro na guerra contra as drogas, em meio a um impasse nas relações com o presidente de esquerda, Gustavo Petro.
Em resposta ao fim da cooperação por decisão de Washington, o governo colombiano defende que continua combatendo os grupos armados que se financiam com cocaína através de apreensões e prisões. Até o momento de 2025, o país apreendeu 700 toneladas de cocaína e destruiu o número recorde de 4.570 laboratórios clandestinos, segundo dados do Ministério da Defesa.
O ministro do Interior da Colômbia, Armando Benedetti, assegurou que "a partir deste momento" "não serão compradas armas dos Estados Unidos", em uma entrevista à Blu Radio. Petro encerrou na segunda-feira a "dependência" das forças armadas colombianas às "esmolas" e "presentes" dos Estados Unidos.
"O exército se sai melhor se comprar suas armas ou as fabricar com nossos próprios recursos, porque se não, não será um exército de soberania nacional", disse junto com seus ministros após antecipar o anúncio de Washington sobre a retirada da certificação. Desde 1986, os Estados Unidos realizam uma avaliação anual sobre os esforços antidrogas de cerca de 20 países -produtores e distribuidores de drogas- em troca de recursos.
No caso da Colômbia, representa uma ajuda de cerca de 380 milhões de dólares (aproximadamente 2 bilhões de reais) anuais. O fim deste reconhecimento significa um golpe sensível para a força pública colombiana, que combate os cartéis e as guerrilhas com armamento proveniente dos Estados Unidos, seu principal aliado militar. Entre 2000 e 2018, os Estados Unidos entregaram à Colômbia mais de 10 bilhões de dólares (cerca de 53,2 bilhões de reais), segundo o Congresso americano, para fins militares, sociais e de erradicação de cultivos ilícitos.
O ministro Benedetti assegurou que, daqui em diante, a Colômbia buscará novos parceiros para adquirir armas e deu como exemplo a recente aquisição de uma frota de aviões de combate da Suécia. "Os Estados Unidos, como país capitalista, precisam entender que também existem questões de mercado", disse.