Mundo

Colombiana recebe restos mortais de filho morto no cativeiro das Farc

Capitão do exércico foi capturado em 1998 e morreu em 2006

Colombiana recebe restos mortais de filho morto no cativeiro das Farc
Colombiana recebe restos mortais de filho morto no cativeiro das Farc Foto : BOGOTÁ (AFP)
Emperatriz Castro, mãe do coronel da polícia colombiana Julián Guevara, morto em 2006 quando era refém da guerrilha das Farc, recebeu nesta quinta-feira os restos mortais do militar das mãos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR).

O helicóptero da Força Aérea Brasileira (FAB) que foi buscar os restos mortais de Julián Guevara pousou na cidade de Villavicencio às 15h15min (17h15min de Brasília), procedente do departamento de Guaviare.

Assim que o aparelho pousou, Castro foi abraçar a senadora Piedad Córdoba, da ONG Colombianos e Colombianas pela Paz, e o bispo Leonardo Gómez, membros da comissão humanitária que promoveu o resgate.

Guevara, que tinha a patente de capitão quando foi capturado pelas Farc, no dia 1º de novembro de 1998, morreu em 2006. Após seu falecimento, o Exército o promoveu a major e, posteriormente, a coronel.

Para facilitar a entrega dos restos mortais de Guevara, as operações militares foram suspensas na quarta-feira em uma zona entre os departamentos de Meta e Guaviare.

Rebeldes das Farc prestaram honras militares ao coronel Guevara no momento de entregar seus restos mortais, disse um membro da missão humanitária que recebeu o corpo.

"Guerrilheiros e guerrilheiras das Farc disseram que deram honras militares a um herói da pátria. Houve duas filas de guerrilheiros de cada lado (do caixão) e lhe prestaram honras militares", revelou a senadora Piedad Córdoba.

Segundo Córdoba, os rebeldes argumentaram que o oficial merecia ser considerado Herói da Pátria por "ter sido capturado em combate e morto como prisioneiro de guerra".

A revelação desse fato provocou protesto do alto comissário para a paz na Colômbia, Frank Pearl. "Se as Farc realmente honrassem a vida, em primeiro lugar, não o teriam sequestrado e, em segundo lugar, deveriam ter permitido que ele saísse do cativeiro para que não morresse de doença. O que as Farc fizeram hoje não foi um favor, e sim um gesto mínimo de humanidade", afirmou Pearl.