Com 40% dos votos apurados, as eleições do Peru caminham para o segundo turno ainda sem os candidatos confirmados. Keiko Fujimori e o candidato ultraconservador Rafael López Aliaga lideram até agora.
A liderança de Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, consolida sua posição como a principal face da direita no país. Em discurso recente, a candidata celebra os resultados, classificando-os como um sinal positivo para a nação e reforçando que sua campanha terá como foco o enfrentamento direto contra as correntes de esquerda.
O avanço da apuração e a disputa pela segunda vaga
Embora a apuração oficial tenha avançado de forma lenta devido a atrasos logísticos e incidentes em diversos locais de votação, os números confirmam a vantagem de Fujimori sobre seus adversários. Rafael López Aliaga, que se posiciona como um forte rival de tendência ultraconservadora disputa a segunda vaga contra nomes como o social-democrata Jorge Nieto e o empresário Ricardo Belmont.
O pleito foi marcado por tensões e protestos. Em Lima, eleitores e candidatos criticam a organização das eleições, chegando a classificar os atrasos e a falta de material eleitoral como uma "fraude gravíssima". A situação exigiu a intervenção de promotores e da unidade anticorrupção na sede da autoridade eleitoral para garantir a transparência do processo.
Desafios do próximo presidente do Peru
O vencedor do segundo turno, marcado para junho, assume um país que enfrenta uma crise de instabilidade política sem precedentes — foram oito presidentes na última década. Além da fragilidade institucional, o novo governo terá de lidar com:
Segurança Pública: Combate ao crime organizado transnacional e às altas taxas de criminalidade.
Economia: Manutenção da estabilidade econômica e controle da inflação, pontos em que o Peru ainda se destaca na região.
Crise de Confiança: Reverter o índice de mais de 90% dos peruanos que afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no governo e no Parlamento.
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Suspeitas de fraude
Em um país onde o voto é obrigatório, quase 63.000 pessoas não conseguiram votar por falta de cédulas, urnas e outros materiais eleitorais.
"Dá muita indignação que, nesta altura do século XXI, estejam acontecendo estas coisas aqui no Peru. Cada dia é pior", diz Martha Tumba, de 81 anos, durante um protesto diante da sede da autoridade eleitoral.
Durante o dia de votação no domingo, longas filas foram registradas em alguns locais de votação em Lima sob forte calor e umidade. Os candidatos também criticam os problemas.
"É uma fraude eleitoral gravíssima e vamos convocar um protesto cidadão", diz López Aliaga.
Antes do fim do horário de votação, policiais da unidade anticorrupção e promotores entraram na sede da autoridade eleitoral e na empresa responsável por distribuir o material eleitoral para obter informações sobre os incidentes.
Jornalistas da AFP constatam a presença de agentes das forças de segurança dentro e nas imediações do organismo eleitoral.
Durante a noite, dezenas de pessoas gritam "fraude" em um protesto diante da autoridade eleitoral do país.