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Com apoio a Donald Trump, carreira de Musk dá guinada política

Empresário doou dezenas de milhões de dólares para campanha e espera assumir cargo no governo, caso Trump seja eleito

Musk subiu ao palanque de Trump em evento no início de outubro
Musk subiu ao palanque de Trump em evento no início de outubro Foto : Jim Watson / AFP / CP

Com seu apoio declarado à campanha do republicano Donald Trump, o fundador da Tesla, Elon Musk, não somente aposta no retorno do ex-presidente à Casa Branca, mas também ressalta sua vocação para influenciar as decisões globais. No início de outubro, o bilionário da tecnologia apareceu pela primeira vez em um evento político, saltando ao palco para se juntar a Trump.

Ele também se tornou uma nova fonte dos "memes" que inundam as redes sociais, incluindo o X, de propriedade do próprio Musk. Ao mesmo tempo, uma entrevista com o comentarista conservador Tucker Carlson chamou a atenção por suas piadas sobre tentativas de assassinato da candidata democrata Kamala Harris e sua preocupação com seu futuro caso Trump perca em novembro.

"Se ele perder, estou ferrado", declarou Musk. O empresário aposta tudo no ex-mandatário, com contribuições de dezenas de milhões de dólares para sua campanha e disposto a assumir um cargo no governo se Trump for eleito.

Para muitos, a virada à direita de Musk não é casual: alguns lembram que ele cresceu na África do Sul durante o Apartheid e acreditam que esse passado pode influenciar sua visão do mundo de hoje, especialmente em questões demográficas e migratórias. O fundador da Tesla sempre afirma, sem provas, que os migrantes ameaçam a democracia americana.

"Nos anos 80, o pesadelo dos brancos sul-africanos era que um dia os negros se revoltassem e os massacrassem", lembrou o comentarista britânico Simon Kuper no Financial Times. No entanto, experiências pessoais recentes pesaram na evolução política de Musk, principalmente a mudança de nome e gênero de sua filha, Vivian, em 2022, aos 18 anos.

Para Elon Musk, sua filha foi "morta" pelo "vírus woke" promovido pela escola elitista californiana onde estudava, e este episódio endureceu seu discurso político. O apoio a Trump também está ligado à atividade de Musk, uma vez que suas empresas operam em setores que são particularmente regulados e frequentemente entram em conflito com as autoridades.

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Risco para a Tesla

Com Trump na Casa Branca, Musk poderia ser potencialmente "responsável por sua própria regulação, com a possibilidade de fazer absolutamente o que quiser", destacou Rob Enderle, analista do Enderle Group. Musk possui um instrumento de influência real graças ao X e, em particular, através de sua conta nesta plataforma antes chamada Twitter, que o bilionário comprou e rebatizou.

Ele tem cerca de 200 milhões de seguidores e costuma compartilhar conteúdos controversos alinhados às ideias de Trump. A quase ausência de moderação de conteúdo no X oferece uma câmara de ressonância para mentiras e distorções da realidade promovidas por algumas contas próximas ao ex-presidente republicano. "Ter o apoio de alguém como Musk, com sua própria rede social, não é o mesmo que ter seu apoio como simples indivíduo", considerou Sophie Bjork-James, professora de Antropologia da Universidade de Vanderbilt.

Eleva-se além do simples apoio. Recentemente, um comitê de apoio à candidatura de Trump lançado pelo empresário prometeu pagar 47 dólares (R$ 264,4) a quem conseguisse que um eleitor de qualquer estado-pêndulo para as eleições assinasse uma petição em favor da liberdade de expressão e do porte de armas.

"Dinheiro fácil", postou Musk em seu perfil. "Sua influência reside em seu dinheiro, seu comitê de apoio e no X. E ele não tem problema em usá-los a favor de Trump, mesmo que isso signifique repetir mentiras que o ajudam", explicou Larry Sabato, diretor do Centro de Política da Universidade da Virgínia. Os apoios dados por Musk mostram que sua implicação na política é uma extensão natural de seu sucesso profissional.

"De forma quase sistemática, as inovações de Musk se juntavam a coisas que o governo queria fazer, mas ele as fazia melhor", resumiu o professor Paul Sracic, da Universidade de Youngstown State, no Washington Examiner. Sua orientação política, no entanto, começa a mudar a percepção geral sobre suas empresas, começando pela Tesla, "que já não é a primeira opção para demonstrar compromisso com o meio ambiente, devido à sua associação (de Musk) com Trump", destaca Mark Hass, assessor de grandes empresas.

Sua participação na política é, entretanto, uma novidade no cenário eleitoral americano: um gigante da tecnologia, muito rico, com enorme influência midiática e traços autoritários, segundo a descrição de Hass: Musk poderia, se Trump ganhar, ser "o rei do mundo".