Na fronteira turca era possível ouvir os disparos procedentes da cidade, que ainda conta com uma bandeira curda hasteada na área central. Os combates de rua prosseguiram durante a noite. O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou nesta terça-feira que "lançar bombas do ar não acabará com o terror. O terror não vai parar até cooperarmos para uma operação terrestre com os que travam combate no terreno". "Os meses se passaram e não conseguimos nenhum resultado. Kobane está prestes a cair", acrescentou ante refugiados sírios em um acampamento de Gaziantep (sul da Turquia).
O avanço do EI no norte da Síria colocou a Turquia na linha de frente do conflito. Apesar de ainda não intervir militarmente, seu Exército recebeu autorização do Parlamento para agir no Iraque e na Síria, no momento em que os Estados Unidos e outros aliados da coalizão descartaram mobilizar tropas terrestres. Em Kobane, o EI enfrenta a resistência feroz dos combatentes das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), principal milícia curda síria. Trata-se de "uma guerrilha urbana", segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane.
De acordo com a ONG, mais de 400 pessoas, em sua maioria combatentes curdos e jihadistas, morreram em Kobane desde o início da ofensiva em 16 de setembro. Se os jihadistas, que já ocupam grandes regiões do norte e do leste sírio, conquistarem a totalidade de Kobane, a terceira principal cidade curda da Síria, eles dominarão uma longa faixa ininterrupta de território na fronteira Síria-Turquia. Até o último curdo Muitos habitantes da cidade fugiram por temor das represálias dos jihadistas, que espalham o terror nas regiões que controlam na Síria e no Iraque, com estupros, execuções, perseguições e outras atrocidades.
Os aviões da coalizão liderada pelos Estados Unidos atacaram novamente nesta terça-feira as posições controladas pelo EI no sudoeste de Kobane. Cada disparo que atinge o alvo levanta uma espessa fumaça negra que é saudada por aplausos e gritos de dezenas de civis curdos reunidos do lado turco da fronteira para acompanhar o andamento dos combates. Mas para um militante contactado pela AFP, Mustafa Ebdi, esses ataques têm tido pouco impacto sobre o avanço dos jihadistas.
No entanto, "mesmo que só possuam armas leves, os combatentes curdos conhecem a geografia de Kobane de cor. Eles vão defender a sua cidade, até o último deles". Os ataques "são insuficientes para derrotar os terroristas no terreno", afirmou um oficial curdo, Idriss Nahsen, que pediu "armas e munições".
A ofensiva do EI, que conseguiu tomar 70 aldeias no caminho para Kobane, levou à fuga de cerca de 300 mil pessoas, mais de 180 mil se refugiaram na Turquia. Para chamar a atenção para a batalha de Kobane, dezenas de manifestantes curdos invadiram brevemente o Parlamento Europeu em Bruxelas, onde seu presidente, Martin Schulz, garantiu o apoio da instituição aos "esforços internacionais" para parar o EI.
Ainda na Síria, um padre e vários cristãos foram sequestrados pela Frente Al-Nosra, o braço sírio da Al-Qaeda, que luta contra o regime do presidente Bashar al-Assad, informou nesta terça-feira a ordem franciscana do sacerdote.
A ordem franciscana está sem notícias do padre Hanna Jalluf e dos paroquianos que foram capturados no domingo à noite em Qunya (noroeste), perto da fronteira com a Turquia, informou a Custódia da Terra Santa.
No Iraque, caças F-16 holandeses lançaram seus primeiros ataques contra o grupo EI para ajudar os combatentes curdos no norte do país. Vários países ocidentais estão envolvidos nos ataques no Iraque, onde os militares americanos utilizaram pela primeira vez helicópteros, o que marca uma escalada na gestão do conflitos e expõe ao perigo as tropas americanas.