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Comissão Europeia qualifica acidente nuclear no Japão de "apocalipse"

Presidente do Irã diz que usina de seu país é mais moderna que a de Fukushima

Governo japonês segue realizando testes de medição de radioatividade na população
Governo japonês segue realizando testes de medição de radioatividade na população Foto : Yomiuri Shimbnun / AFP / CP
A Comissão Europeia qualificou nesta terça-feira o acidente nuclear, em Fukushima, no Japão de "apocalipse". De acordo com comissário europeu de Energia, Günther Oettinger, "praticamente tudo está fora de controle".

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A União Europeia debateu hoje em uma reunião extraordinária em Bruxelas a necessidade de testes de resistência em suas centrais nucleares após a crise atômica no Japão. A chanceler alemã, Angela Merkel, anunciou a suspensão imediata e por três meses do funcionamento dos sete reatores mais antigos do país. Pelo menos um deles não voltará a ser utilizado.

"Vamos iniciar uma análise da segurança de todas as centrais nucleares", explicou a chanceler após uma reunião de crise com os chefes de governo dos estados regionais onde estão instalados os reatores nucleares.

Para Ahmadinejad, usina iraniana é mais moderna

Já o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, aproveitou para valorizar a segurança nuclear do país islâmico. Ele declarou nesta terça que a usina nuclear de Bushehr de seu país tomou todas as medidas de precaução e é mais moderna que a central japonesa de Fukushima.

"Os padrões de segurança são os padrões de hoje. Temos que levar em conta que as centrais nucleares do Japão foram construídas há 40 anos com os padrões de ontem", enfatizou, ao ser indagado se o Irã poderia enfrentar um acidente similar ao de Fukushima. "Mas, se acontecer algo imprevisto (na central iraniana), então ficará fora de alcance de todos", admitiu, no entanto.

Crise se agrava no Japão

A crise nuclear no Japão agravou-se hoje com a explosão em mais um reator e um novo incêndio na central de Fukushima 1. O acidente elevou perigosamente os níveis de radioatividade no país, devastado na última sexta-feira por um terremoto seguido de tsunami.


Japonês seguem realizando testes de medição de radioatividade na população. | Foto: Yomiuri Shimbnun / AFP / CP

O medo aumentou ainda mais no arquipélago com um novo tremor secundário de 6 graus de magnitude, que estremeceu os edifícios de Tóquio. O temor de um desastre nuclear, que representaria um golpe letal à terceira economia mundial, provocou pânico nos mercados: a Bolsa de Tóquio chegou a registrar queda de 14% durante a sessão, mas fechou em baixa de 10,55%.

Os japoneses começaram a estocar alimentos e água, esvaziando as prateleiras dos supermercados, apesar das advertências de que as compras podem comprometer o abastecimento das áreas devastadas pelos desastres. "O nível de radiação nas imediações de Fukushima 1 aumentou de forma considerável", declarou o primeiro-ministro Naoto Kan.

O porta-voz do governo, Yukio Edano, informou que os níveis de radioatividade alcançados "podem afetar a saúde dos seres humanos". As autoridades indicaram que também dectaram radioatividade na área de Tóquio (250 quilômetros ao sudoeste da central), mas em níveis que não representam perigo para a saúde.

Os habitantes da capital, a maior megalópole do planeta (35 milhões de habitantes), correram para as lojas para comprar máscaras e material para enfrentar qualquer emergência. Kan pediu à população que tenha calma, apesar da gravidade da situação.

Na cidade de Fukushima, 80 km ao noroeste da central, "há muitas crianças doentes, mas as farmácias estão fechadas. "Todos querem ir embora, mas não há gasolina para os veículos", contou por telefone Kaoru Hashimoto, uma dona de casa de 36 anos.

Quatro dos seis reatores de Fukushima 1 estão avariados e as temperaturas continuam aumentando nos dois restantes. A central, construída nos anos 70, foi totalmente desligada. A Tokyo Electric Power (Tepco), empresa responsável pela usinna, está desviando água do mar para resfriar os reatores, em um procedimento que provoca radiação.

O Japão pediu ajuda à AIEA e aos Estados Unidos para enfrentar a emergência. Oito especialistas nucleares norte-americanos chegam nesta quarta ao país asiático. A Comissão Europeia pediu uma reunião extraordinária da agência na próxima semana.


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