A Comissão Eleitoral israelense afirmou nesta quarta-feira (4) que não encontrou indícios de violação da integridade das eleições da semana passada. A declaração ocorre após o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, acusar a minoria árabe israelense de cometer fraude.
O anúncio aconteceu poucas horas antes de o presidente de Israel, Isaac Herzog, iniciar as reuniões para designar um dos candidatos a formar um governo. Nesse processo, os partidos árabes israelenses podem desempenhar um papel fundamental.
Auditoria não revela irregularidades
"A auditoria foi concluída. Todas as reclamações apresentadas pelas facções políticas foram revisadas e não foi encontrado nada que indique qualquer dano à integridade das eleições", afirmou a comissão em um comunicado. Benjamin Netanyahu e seu partido, o Likud, acusaram de fraude as legendas árabes israelenses, que, com seu bom desempenho nas eleições de 27 de outubro, contribuíram para deixar o primeiro-ministro sem maioria.
Diante da pressão, a procuradora-geral israelense, Gali Baharav-Miara, instou na terça-feira o diretor do Serviço de Segurança Interna, David Zini, aliado de Netanyahu, a apresentar qualquer elemento que tivesse para sustentar as acusações de fraude. Nesta quarta-feira, a Comissão Eleitoral anunciou que suas verificações não revelaram "nenhuma irregularidade" ou indício de que "os resultados tenham sido alterados".
A comissão destacou que analisou todos os recursos de partidos e particulares, além de ter examinado minuciosamente mais de 9.000 urnas, "um número sem precedentes".
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Consultas para formar o governo
O esclarecimento tem grande importância política, no momento em que o presidente Isaac Herzog se prepara para receber, na parte da tarde, os representantes dos partidos com presença no Parlamento. O objetivo, ao fim da rodada de consultas, é designar até 11 de novembro a pessoa que considere mais apta para formar o próximo governo.
As negociações prometem ser difíceis, já que nenhum bloco conseguiu a maioria absoluta de 61 cadeiras. Os partidários de Netanyahu somaram 53 assentos e o principal bloco de oposição, liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, conquistou 48 cadeiras.
A oposição, que reúne partidos muito diversos, que vão da esquerda à direita nacionalista, está dividida em vários temas. Um deles é a conveniência de estabelecer uma aliança ou não com os partidos árabes israelenses, que conquistaram um número recorde de 19 cadeiras no Knesset. Com o apoio que estão dispostos a oferecer a Eisenkot, a oposição poderia alcançar a maioria parlamentar e tirar do poder de Netanyahu, o primeiro-ministro que mais tempo permaneceu no cargo na história do Estado de Israel.
Na terça-feira, os cinco líderes do "bloco da mudança" liderado por Eisenkot, um ex-comandante militar, se reuniram para coordenar a estratégia. Todos manifestaram disposição de um acordo para um "governo de emergência nacional", mas sem explicar como farão para alcançar a maioria.