O comissário de Economia da União Europeia (UE), Valdis Dombrovskis, afirmou, nesta terça-feira (13), que é pouco provável que as vendas de diesel russo, recentemente autorizadas pelos EUA, influam nos preços do produto, que dispararam desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro.
O presidente americano, Donald Trump, anunciou na última sexta-feira ter chegado a um acordo com seu par russo, Vladimir Putin, para que Moscou libere grandes quantidades de diesel nos mercados mundiais na tentativa de baixar os preços.
"Se nos fixarmos nos volumes, estes não têm nenhuma importância macroeconômica e, francamente, há sérias dúvidas sobre se a Rússia é sequer capaz de fornecer estes volumes", disse Dombrovskis em entrevista exclusiva à AFP, à margem das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial em Bangcoc, na Tailândia.
"Além disso, segundo as normas de qualidade americanas, há grandes interrogações a respeito", acrescentou.
Dombrovskis abordou, ainda, a preocupação com a inflação devido ao aumento dos preços da energia e um acordo comercial assinado recentemente com a China, em virtude do qual Pequim se comprometeu a limitar as exportações de veículos híbridos para o bloco de 27 países.
"Se analisamos as relações comerciais entre a UE e a China em seu conjunto, no ano passado registramos um déficit comercial de cerca de 360 bilhões de euros (aproximadamente R$ 2 trilhões), o que representa quase 1 bilhão de euros por dia", cerca de R$ 6 bilhões, assinalou. "Isso não é sustentável", destacou.
A Comissão Europeia publicará suas perspectivas econômicas para o outono nas próximas semanas. Segundo Dombrovskis, nelas revisará para cima suas previsões de inflação por causa da guerra no Irã.
"Observamos que a crise inflacionária derivada do conflito no Oriente Médio e a escalada da guerra no Irã será mais prolongada", antecipou. "Portanto, diria que, com grande probabilidade, vamos revisar para cima nossas previsões de inflação para 2027", concluiu o comissário.