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Como é o acordo fechado pelo senado dos EUA para acabar com paralisação orçamentária

Acordo foi alcançado após disputas que envolviam subsídios de assistência médica, benefícios alimentares e a situação dos funcionários federais demitidos

No domingo, mais de 3.000 voos foram cancelados e mais de 10.000 sofreram atrasos nos Estados Unidos
No domingo, mais de 3.000 voos foram cancelados e mais de 10.000 sofreram atrasos nos Estados Unidos Foto : TIMOTHY A. CLARY / AFP

O Senado dos Estados Unidos deu um passo crucial neste domingo (9) para encerrar a paralisação governamental (shutdown) mais longa de sua história. Após 40 dias sem financiamento para agências federais, que geraram caos em aeroportos e deixaram centenas de milhares de funcionários sem pagamento desde 1º de outubro, republicanos e democratas chegaram a um acordo de princípio para destinar fundos ao governo federal até janeiro.

O acordo foi alcançado após disputas que envolviam subsídios de assistência médica, benefícios alimentares e a situação dos funcionários federais demitidos. Em seguida, o Senado, de maioria republicana, aprovou uma votação processual por 60 votos a 40, limitando o tempo de debate sobre a medida legislativa. O princípio de acordo estabelece um prazo máximo de 30 horas adicionais para o debate antes de uma votação final, que precisará apenas de maioria simples (50 votos) para ser aprovada.

O que o acordo inclui

A proposta, que ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Representantes (também de maioria republicana) antes de ir à sanção do presidente Donald Trump, deve levar dias. Contudo, o presidente Trump expressou otimismo, dizendo a jornalistas que "Parece que estamos perto de encerrar o fechamento".

Segundo os legisladores, o acordo deve contemplar:

Financiamento do SNAP: Garantir o financiamento do Programa Federal de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP), que atualmente está suspenso e atende mais de 42 milhões de americanos.

Reincorporação e Salário Retroativo: Reverter a demissão de milhares de funcionários federais e garantir que todos os afetados pelo shutdown recebam seu salário retroativo.

Ajuda Médica: Submeter à votação a extensão da ajuda para atendimento médico, cujo prazo de validade termina no final do ano.

O senador democrata Tim Kaine afirmou que a proposta "protegerá os funcionários federais contra demissões injustificadas, reincorporará aqueles que foram demitidos equivocadamente durante o 'shutdown' e garantirá que os funcionários federais recebam seu salário retroativo".

Críticas da oposição

Apesar do avanço, o acordo enfrentou críticas. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, votou contra, lamentando que a extensão das ajudas de saúde seja objeto de uma votação e não de uma adoção direta. "Os republicanos passaram os últimos 10 meses desmantelando o sistema de saúde, aumentando os custos e tornando cada dia mais difícil para as famílias americanas", disse ele.

Congressistas de alas mais progressistas, como a representante Alexandria Ocasio-Cortez, também manifestaram oposição, alegando que o acordo não atende às necessidades urgentes da população. O governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, resumiu a insatisfação com a única palavra: "Patético".

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Caos aéreo e Dia de Ação de Graças

O impacto do shutdown no controle do tráfego aéreo se tornou um fator de pressão. No domingo, mais de 3.000 voos foram cancelados e mais de 10.000 sofreram atrasos nos Estados Unidos, afetando grandes hubs como Newark, LaGuardia, O'Hare e Hartsfield-Jackson.

A Administração Federal de Aviação (FAA) havia solicitado às companhias aéreas que reduzissem gradualmente seus voos para aliviar a pressão sobre os controladores de tráfego aéreo, que estão trabalhando sem remuneração.

O secretário dos Transportes, Sean Duffy, alertou que um shutdown prolongado do governo agravaria drasticamente a situação, especialmente com a proximidade do Dia de Ação de Graças no final do mês, que marca o início da temporada de compras de Natal.