Mundo

Como foi a derrota do partido de Milei nas eleições em Buenos Aires

Votação é considerada um termômetro para as eleições parlamentares de meio de mandato em outubro

Milei reconheceu a "clara derrota", mas reafirmou que seu governo "não se retrocede nem um milímetro"
Milei reconheceu a "clara derrota", mas reafirmou que seu governo "não se retrocede nem um milímetro" Foto : STRINGER / AFP

O partido do presidente da Argentina, Javier Milei, A Liberdade Avança (LLA), sofreu uma derrota dura para a oposição peronista nas eleições legislativas provinciais de Buenos Aires. A votação, considerada um termômetro para as eleições parlamentares de meio de mandato em outubro, terminou com a coalizão peronista Força Pátria conquistando mais de 47% dos votos, contra 33,8% da LLA.

Em um discurso com tom mais sóbrio que o habitual, Milei reconheceu a "clara derrota", mas reafirmou que seu governo "não se retrocede nem um milímetro" na política de cortes de gastos. O presidente subiu ao palco em silêncio, em vez de ao som de rock, e deixou o local rapidamente após a fala.

A importância de Buenos Aires

A derrota da LLA é particularmente simbólica, já que a província de Buenos Aires, governada pelo peronista Axel Kicillof, é o principal reduto eleitoral do país, representando 40% do eleitorado nacional e mais de 30% do PIB argentino.

Na sede do Força Pátria, a vitória foi celebrada com festa. O governador Kicillof foi recebido com gritos de "Axel presidente!" e aproveitou a vitória para mandar um recado a Milei, pedindo que ele governe para o povo e não para as corporações. "Não se pode retirar financiamento da saúde, da educação, da ciência e da cultura na Argentina", declarou, criticando os cortes draconianos do governo. A ex-presidente Cristina Kirchner, líder do peronismo, também apareceu na varanda de seu apartamento para saudar os apoiadores.

Cenário Pós-Eleitoral

A derrota do partido de Milei ocorre em um momento de turbulência. O governo enfrenta um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei, e sofreu seu primeiro revés no Congresso, que reverteu um veto presidencial para destinar mais fundos a pessoas com deficiência.

Apesar de Milei defender seu governo com base na queda da inflação, que reduziu de 87% para 17,3% em um ano, a economia ainda enfrenta desafios. O governo precisou intervir no mercado cambial para conter a desvalorização do peso, e a aliança política de Milei com o PRO, do ex-presidente Mauricio Macri, não foi suficiente para garantir a vitória.