O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, defendeu a decisão de demitir a diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Susan Monarez, classificando-a como "absolutamente necessária" para restabelecer os altos padrões da agência. A demissão, junto a outras de altos funcionários, mergulhou a principal agência de saúde pública do país em uma crise interna.
Em audiência no Senado, Kennedy criticou a gestão do CDC durante a pandemia de covid-19, que ele considerou um "fracasso miserável" com políticas "desastrosas e absurdas". Ele citou como exemplos as orientações sobre o uso de máscaras e o fechamento de escolas, acusando a agência de permitir que um sindicato de professores "redigisse a ordem de fechamento das nossas escolas".
Críticas e pedido de renúncia
A oposição democrata reagiu de forma acalorada, pedindo a renúncia de Kennedy. O senador Ron Wyden acusou o secretário de mentir em depoimentos anteriores e exigiu que ele prestasse juramento durante a sessão, o que foi rejeitado. "É do interesse do país que Robert Kennedy renuncie, e se ele não o fizer, [o presidente] Donald Trump deveria demiti-lo antes que mais pessoas sejam prejudicadas", declarou Wyden.
Monarez, a diretora demitida, acusou Kennedy em um artigo de opinião no Wall Street Journal de "conduzir um esforço deliberado para enfraquecer o sistema de saúde pública dos Estados Unidos". Os advogados de Monarez afirmaram que as declarações de Kennedy são "falsas e, às vezes, flagrantemente ridículas", e que ela estaria disposta a depor sob juramento.
Mudanças políticas e tensão no Senado
Conhecido por sua atuação como ativista antivacinas, Kennedy, desde que assumiu o cargo, tem promovido mudanças significativas na política de saúde do país. Ele restringiu as doses contra a covid-19 a grupos mais limitados e cortou subsídios para a pesquisa da tecnologia de mRNA, que é atribuída a milhões de vidas salvas.
A audiência foi marcada por debates ásperos, nos quais Kennedy foi chamado de "charlatão" pela senadora democrata Maria Cantwell e, em resposta, acusou a senadora Maggie Hassan de "dizer absurdos". O impasse reflete a profunda polarização política em torno das políticas de saúde pública nos Estados Unidos.