• Leia mais notícias sobre o Japão
A Tepco disse ainda que há 11 anos não inspeciona a peça que alimenta uma válvula de controle da temperatura do reator. Outras peças, cujo controle não é necessariamente obrigatório, também não foram submetidas a uma inspeção exaustiva, sobretudo as partes ligadas ao sistema de resfriamento e ao fornecimento elétrico de emergência.
As autoridades solicitaram o relatório à Tepco justamente para saber se o procedimento padrão de segurança estava sendo respeitado. "O plano de controle das instalações e a gestão da manutenção eram inapropriados", concluiu a Agência de Segurança Nuclear, que assegurou que "a qualidade das inspeções era insuficiente".
A tragédia de 11 de março provocou a parada dos seis reatores da central Fukushima 1, interrompeu a alimentação elétrica, bloqueou os geradores diesel de emergência e levou ao colapso o sistema de resfriamento.
Esta cadeia de erros gerou uma série de acidentes de gravidade crescente, que as equipes da Tepco ainda combatem com a ajuda do exército e dos bombeiros para evitar que a situação em quatro dos reatores se torne totalmente incontrolável.
"Não é possível dizer em que medida as falhas constatadas sobre a manutenção e o controle das instalações influenciaram ou não a cascata de problemas originados pelo terremoto", indicou a agência. Esta prevê abrir uma investigação exaustiva para apurar as causas da hecatombe, assim que a crise estiver superada.
Outro escândalo em 2002
A qualidade da rede de distribuição elétrica da Tepco é de boa qualidade, já que os cortes de energia são praticamente inexistentes em Tóquio, cidade que abastece. Mas a imagem da companhia já havia sido borrada no passado por uma série de escândalos.
Em 2002, a Tepco precisou interromper temporariamente o funcionamento de seus 17 reatores nucleares de água quente (BWR), dois deles na central de Fukushima, para uma inspeção, após uma denúncia de maquiagem nos relatórios. O caso custou o cargo do diretor geral e de seu braço direito.