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Comunidade internacional critica ataque israelense a frota humanitária

Iniciativa armada deixou pelo menos 16 mortos e 30 feridos

Foto : WASHINGTON, EUA (AFP)
O ataque de comandos israelenses contra a frota internacional que levava ajuda humanitária ao território de Gaza foi alvo de críticas de toda a comunidade internacional. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou estar chocado com o sangrento ataque israelense e pediu ao Estado hebreu que realize uma investigação a fundo sobre o fato.

"Estou chocado pelas informações de que há mortos e feridos nos barcos que levavam ajuda a Gaza", declarou Ban à imprensa em Campala, capital de Uganda, onde assiste à abertura de uma conferência sobre a Corte Penal Internacional. "Condeno estas violências. É vital que se realize uma investigação completa", enfatizou.

O ataque aconteceu em águas internacionais, a 128 quilômetros da Faixa de Gaza, próximo ao Chipre, no Mar Mediterrâneo. Pelo menos 16 pessoas morreram e 30 ficaram feridas. Uma brasileira estaria no comboio.

Os Estados Unidos também lamentaram a perda de vidas humanas e o saldo de feridos, em um comunicado emitido logo após a notícia. Horas depois, o presidente Barack Obama afirmou ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu que é importante descobrir o mais rápido possível todos os fatos relativos ao violento ataque.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, por sua vez, censurou o uso desproporcional da força contra a frota humanitária em Gaza e exigiu que esta tragédia seja esclarecida. "Toda a luz deve ser lançada sobre as circunstâncias desta tragédia, que enfatiza a urgência de reativar o processo de paz israelense-palestino", afirmou o chefe de Estado francês. O ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador de Israel em Paris, Daniel Shek, para pedir explicações sobre o ocorrido.

Em Londres, o ministro das Relações Exteriores, William Hague, pediu ao Estado hebreu que ponha fim às "inaceitáveis e contraproducentes restrições impostas às ajudas encaminhadas ao território palestino". "Há uma clara necessidade de que Israel atue com moderação e de acordo com as normas internacionais", declarou.

A Turquia, por sua vez, chamou para consultas seu embaixador em Israel. O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, confirmou que a Turquia pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e anunciou ter ordenado também que os preparativos para as manobras militares conjuntas com Israel fossem anulados.

Já a Alemanha - país que raramente critica Israel - comentou que a letal intervenção israelense contra um comboio pró-palestino é, "à primeira vista, de caráter desproporcional", segundo o porta-voz do governo, Ulrich Wilhelm. "Os governos da Alemanha sempre reconheceram o direito de defesa de Israel, mas este direito deve acontecer dentro de uma resposta proporcional", disse Wilhelm em uma entrevista coletiva.

O presidente palestino Mahmud Abbas qualificou a ação de massacre e decretou três dias de luto. "Teremos que tomar algumas decisões difíceis esta tarde", disse uma fonte do gabinete palestino, mas sem revelar quais as medidas. A Autoridade Palestina também pediu uma reunião de urgência ao Conselho de Segurança da ONU para "debater a pirataria, o crime e o massacre israelense", nas palavras do principal negociador palestino, Saeb Erakat.

Por fim, o inimigo declarado de Israel, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, denunciou o ataque do Exército israelense como "um ato desumano do regime sionista", informou a agência oficial Irna. "O ataque e o fato de impedir que a ajuda humanitária destinada à população chegasse a Gaza não é um sinal de força, e sim de fragilidade deste regime", declarou Ahmadinejad. “Tudo isto mostra que o fim deste sinistro regime fantoche está mais perto do que nunca", completou.