"O movimento descendente do ar permitiu que o gás penetrasse facilmente nos porões e nos níveis mais baixos dos edifícios, e em outras estruturas onde muitas pessoas buscaram refúgio", explicou Ban Ki-moon.
O secretário-geral da ONU disse que os investigadores do organismo confirmaram agora de maneira "inequívoca e objetiva que foram utilizadas armas químicas na Síria". Sobre este ponto, a primeira página do relatório sustenta que há provas claras e convincentes do uso de armas químicas em uma escala relativamente grande durante o conflito.
O chefe das Nações Unidas fez estes comentários em consultas a portas fechadas do órgão executivo de 15 membros da ONU, nas quais disse que médicos encontraram gente morrendo nas ruas após o ataque com gás sarin de 21 de agosto perto de Damasco, afirmaram diplomatas presentes na reunião.
O relatório dos inspetores não aponta diretamente os responsáveis por estes ataques com armas químicas, já que seu mandato prevê que eles não podem se pronunciar sobre este ponto. No entanto, afirma claramente que "mísseis terra-terra contendo o agente neurológico sarin foram utilizados. As amostras ambientais, químicas e médicas que coletamos fornecem evidências claras e convincentes de que mísseis terra-terra contendo o agente neurológico sarin foram utilizados" em Ghoutta.
"Este resultado nos deixa com preocupações profundas", acrescenta. Os especialistas afirmam que, baseados nas evidências encontradas, "a conclusão é que armas químicas foram utilizadas no conflito em curso entre as partes na República Árabe da Síria... contra civis, incluindo crianças, em uma escala relativamente grande".
Para o chefe da diplomacia francesa, Laurent Fabius, o relatório não deixa nenhuma dúvida sobre a origem do ataque e "reforça a posição dos que disseram que o regime (de Bashar al-Assad) é culpado".