Segundo Rice, o então premier israelense estava disposto a oferecer aos palestinos, sob a direção de Mahmmud Abbas, 94% da Cisjordânia, mas com Israel mantendo algumas colônias. Se o plano fosse adiante, haveria duas capitais, uma para Israel, em Jerusalém Ocidental, e outra para os palestinos, em Jerusalém Oriental, com uma câmara comum, prefeito israelense e vice-prefeito palestino.
Olmert também ofereceu o regresso de 5 mil palestinos a terras até então em poder de Israel. A proposta previa ainda colocar a cidade velha de Jerusalém sob a administração de um "comitê de sábios" de Jordânia, Arábia Saudita, Autoridade Palestina, Estados Unidos e Israel.
Rice ficou surpresa: "Estou realmente escutando isto? O primeiro-ministro de Israel diz que vai dividir Jerusalém e instalar uma instância internacional encarregada dos lugares santos". O livro revela que Olmert queria a ajuda dos Estados Unidos para uma série de questões de segurança, algo que os palestinos poderiam ter problemas para aceitar.
Segundo Rice, ao receber a proposta, no dia seguinte, Abbas fez exigências, afirmando que não poderia aceitar o regresso de apenas 5 mil dos cerca de 4 milhões de refugiados palestinos, mas um encontro foi marcado entre ele e Olmert.
Em setembro de 2008, Olmert entregou a Abbas um mapa com o desenho do território do futuro Estado Palestino, que previa a anexação de 6% por parte de Israel. "Mas quando os palestinos alegaram que precisavam consultar seus especialistas antes de firmar (o acordo), Olmert se negou a entregar o mapa", temendo o vazamento da proposta.
"Todos os outros elementos seguiam sobre a mesa, incluindo a divisão de Jerusalém, mas Olmert exigiu que Abbas firmasse tudo naquele momento". Diante do impasse, o "líder israelense me disse que se reuniria com Abbas e com os especialistas no dia seguinte, mas ao que parece este encontro nunca aconteceu".