"Em cada estação eu avisava por rádio ao controlador de tráfego que tinha problemas nos freios. Do outro lado me respondiam 'continua, continua, continua'", afirmou à justiça. Após o depoimento, o maquinista foi libertado "porque não existe perigo de fuga e não há possibilidade dele atrapalhar a investigação", disse a fonte.
Na quarta-feira o secretário de Transportes da Nação, Juan Pablo Schiavi, disse haver gravações dos diálogos entre o maquinista e o controlador e que elas seriam levadas à justiça. O trem colidiu contra uma barreira de contenção. No momento do acidente, 2 mil passageiros estavam a bordo.
O maquinista foi resgatado por bombeiros entre os ferros retorcidos de sua cabine e hospitalizado com ferimentos e politraumatismos, mas fora de perigo. A Associação de Funcionários dos Organismos de Controle (APOC) acusou na sexta-feira o governo em um comunicado de "não ter atuado diante dos resultados de auditorias que mostravam o deficitário e criminoso estado de conservação" da linha ferroviária de Sarmiento.
O acidente foi o terceiro mais grave da história ferroviária da Argentina, depois do ocorrido na localidade de Benavídez (periferia norte de Buenos Aires), com 236 mortos em 1970, e o registrado na província de Santa Fé (centro-oeste), com 55 mortes em 1978.