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Conferência internacional sobre a Síria chega ao fim sem avanços concretos

Atores-chave no conflito concordaram apenas em "começar o processo político o mais rápido possível"

Representantes dos países envolvidos no conflito se reuniram em Lausanne, na Suíça
Representantes dos países envolvidos no conflito se reuniram em Lausanne, na Suíça Foto : Jean-Christophe Bott / POOL / AFP / CP
A conferência sobre a Síria da qual participaram os Estados Unidos, a Rússoa e os atores-chave no conflito terminou neste sábado em Lausanne, na Suíça, sem avanços concretos, enquanto a guerra continua sem descanso lou piedade com a população local. Os participantes na reunião, a metade defensores do regime de Damasco e a outra metade da rebelião síria, se levantaram da mesa após pouco mais de quatro horas de negociações em um hotel da cidade, após terem concordado em "prolongar os contatos", segundo o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov.

"Dissemos claramente que é preciso começar o processo político o mais rápido possível", acrescentou. Seu homólogo americano, John Kerry, disse que foram trocadas "ideias novas" durante a reunião e mencionou "a tensão" durante todo o encontro. Os outros participantes, Turquia, Catar e Arábia Saudita -que apoiam a rebelião-, e Iraque, Egito e Irã, aliados do regime de Damasco, não fizeram declarações. A reunião, que apresentou um novo formato (os países europeus não foram convidados) foi precedida por uma reunião entre John Kerry e Sergei Lavrov, que não se viam desde o início da ofensiva russo-síria, há três semanas, em Aleppo (norte).

Os bairros do leste da cidade, controlados pelos rebeldes, permanecem sob fogo cruzado, sobretudo os de Hanano, al Maysar e Inzarat, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).  Em outra frente, os combatentes da oposição síria, apoiados pela Turquia, avançavam neste sábado para a cidade de Dabiq, situada entre Aleppo e a fronteira turca, para tirá-la do poder do grupo Estado Islâmico (EI), anunciou o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. A Turquia lançou em 24 de agosto uma ofensiva sem precedente na Síria, chamada "Escudo de Eufrates", para expulsar da fronteira os extremistas do EI e os rebeldes curdos sírios das Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG).

De reunião em reunião

Antes mesmo de começar, os participantes não escondiam a baixa expectativa em torno da reunião.
O encontro aconteceu em um contexto extremamente tenso entre Moscou e os países ocidentais, que acusam a Rússia de ter cometido "crimes de guerra" em Aleppo. Moscou e Washington negociaram durante quase um ano sobre a Síria em várias reuniões e impulsionaram dois acordos de cessar-fogo em 2016 que duraram poucas semanas. O fracasso se deveu aos diferentes interesses neste conflito extremamente complexo, onde estão implicados uma dezena de países.

Desde que a trégua foi rompida no final de setembro e começou a ofensiva contra a parte da cidade em poder dos insurgentes, onde vivem cerca de 260.000 habitantes, mais de 370 pessoas foram mortas, na maioria civis, segundo o OSDH. Entre as vítimas estão mais de 130 crianças, de acordo com a ONG Save the Children. O regime de Damasco e seu aliado russo garantem que os bombardeios a Aleppo são para "eliminar os terroristas".  Há dois dias, Moscou propôs que os rebeldes saíssem da cidade, prometendo-os segurança. Já a ONU projetou um plano para a saída dos combatentes do Fatah al Sham, ex-Frente Al Nusra.

Mas tanto a oposição como seus apoios temem que, sob o pretexto de evacuar os combatentes, o regime e a Rússia só busquem uma rendição forçada de Aleppo. O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, irá domingo a Londres para assistir a uma reunião ministerial de países "afins", em que participarão unicamente os apoios da rebelião, principalmente europeus. Desde março de 2011, o conflito na Síria provocaram a morte de mais de 300.000 pessoas, deixando milhões de deslocados e refugiados.