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Conflito entre PCC e CV deixa nove mortos na Bolívia

Onda de violência atinge região de Santa Cruz, polo econômico do país vizinho

Uma onda de violência deixou nove mortos nos últimos cinco dias na região de Santa Cruz, principal polo econômico da Bolívia. Nesta segunda-feira (3), o governo atribuiu os crimes à disputa entre facções criminosas brasileiras pelo controle de uma rota utilizada para o tráfico internacional de cocaína.

De acordo com a polícia boliviana, os casos incluem a execução de quatro pessoas em uma fazenda, a descoberta de dois corpos decapitados às margens de uma estrada e outros três homicídios, entre eles o de um policial.

Segundo o Ministério de Governo, os assassinatos foram cometidos por integrantes das facções rivais Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que ampliaram sua atuação no país andino nos últimos anos. “Eles estão disputando um corredor por onde os narcotraficantes enviam droga para o exterior”, afirmou o ministro Marco Antonio Oviedo à imprensa.

Oviedo destacou ainda que, desde a posse do presidente de centro-direita Rodrigo Paz, em novembro, as autoridades bolivianas capturaram e expulsaram do país 17 líderes de organizações criminosas internacionais.

Em balanço apresentado pelo governo, também foram apreendidos 58 aviões de pequeno porte, mais de 360 imóveis e quase 300 toneladas de cocaína e maconha. Além disso, 190 pistas de pouso clandestinas foram destruídas, segundo informações repassadas pelo ministério à AFP.

O ministro anunciou ainda que a Polícia Federal do Brasil instalará bases na Bolívia para reforçar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional.

Como resposta à escalada da violência, cerca de 250 policiais bolivianos foram enviados nesta segunda-feira para a cidade fronteiriça de San Matías, que possui aproximadamente 15 mil habitantes. A maior parte dos assassinatos ocorreu nas proximidades do município, de acordo com a imprensa local.

A Bolívia é atualmente o terceiro maior produtor mundial de cocaína, atrás apenas de Colômbia e Peru, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).