“Brega caiu nas mãos dos mercenários de Kadafi”, diz, nervoso, um dos rebeldes, com um fuzil Kalashnikov, o AK-47, na mão. Ele fala sob o arco de entrada de Ajdabiya, a 850 quilômetros a Leste da capital Trípoli. Trata-se da primeira linha da região oriental controlada pelas forças opositoras ao regime do coronel líbio.
Em volta do arco, a multidão de homens duvida se deve avançar ou montar uma defesa. Os mais preparados levam fuzis de assalto AK-47. Outros andam com revólveres e alguns ainda levam facas longas. No momento da entrevista, havia um caça se aproximando da cidade. A aeronave foi rechaçada com disparos de uma bateria antiaérea. “Esta manhã já houve bombardeios perto daqui, contra o depósito de munições”, acrescentou o rebelde, chamado Ibrahim.
Em meio à incerteza, outro rebelde, Ajman, chega de carro vindo do Oeste. Ele avisa que Brega foi libertada. “Alá é grande, Alá é grande”, gritam todos, enquanto ressoam tiros para o alto. "Entraram em Brega de manhã cedo. Agora saíram. Há pelo menos dois mortos", conta Ajman.
Relatos de terror em Brega
Logo atrás, chega outro carro com duas pessoas a bordo. São funcionários de uma companhia petroleira baseada em Brega e partiram esta manhã depois que as tropas de Kadafi lançaram seu ataque.
“Acordei por volta das 7h com o barulho dos tiros. Quando saí, vi mercenários de Kadafi controlando as portas de entrada da companhia”, explica o contador Ahmed Ali. “Revistaram nosso carro, procuraram para ver se tínhamos armas e nos deixaram partir.”
Com o passar do tempo, outras testemunhas chegam ao local. O relato se torna confuso e é preciso falar com muitas pessoas para tentar entender o que realmente acontece entre as duas cidades da Líbia.
“As tropas de Kadafi avançaram de madrugada sobre Brega para tomar objetivos estratégicos: companhias petroleiras, o aeroporto e o gasoduto que leva gás para Benghazi”, conta um engenheiro de uma usina em Brega. “Houve vários mortos, pelo menos dois e até quinze”, continua. À noite, o balanço era de pelo menos 10 mortos e dezenas de feridos.
Largada para o confronto
Do posto de controle de Ajdabiya partem para o Oeste caminhonetes com pessoas armadas. “Para Brega, para Brega. Alá é grande, Alá é grande”, bradam, exibindo os canos de seus fuzis pelas janelas dos veículos. Atrás das barricadas de terra à margem da estrada, os homens aguardam tensos em volta das baterias antiaéreas posicionadas no local.Em Ajbabiya, à tarde, o sol castiga e a poeira irrita a garganta. Alguns homens compartilham garrafas d'água e suco. A uns 50 metros da estrada, cerca de 300 pessoas se juntam e, voltadas para o Leste, começam a rezar.
Várias horas depois, no início da noite, a oposição a Kadafi afirmava que o ataque foi repudiado e Brega está outra vez em suas mãos, apesar de os caças terem lançado dois mísseis contra a população em meio às comemorações. Outra testemunha, porém, assegurava que o acesso a Brega está sob o controle dos apoiadores do ditador.
Navios de guera se aproximam da Líbia
Navios de guerra enviados por potências ocidentais dirigiram-se nesta quarta-feira à Líbia. As embarcações de países como Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, França, Itália e Coreia do Sul levam militares e apoio médico.