Segundo a organização, o exército sírio lançou vários ataques nas fronteiras com os países vizinhos, Turquia e Líbano. Fato raro desde a eclosão da revolta, em meados de março de 2011, os helicópteros do exército bombardearam durante a noite a cidade de Kafarzita, localizada na província de Hama, no centro do país, onde ocorrem confrontos entre forças do governo e rebeldes. Antes, na cidade vizinha de Latamna, pelo menos 35 civis, na maioria mulheres e crianças, morreram nos bombardeios, de acordo com a organização. "Trinta e cinco pessoas morreram em bombardeios, incluindo 15 crianças e jovens com menos de 18 anos, assim como oito mulheres, e ainda há pessoas sob os escombros", afirmou à AFP o presidente do OSDH, Rami Abdel Rahman, indicando também dezenas de feridos.
Os ataques foram registrados poucas horas antes da data fixada pela ONU para que o exército se retire das cidades com vistas a um cessar-fogo que parece cada vez mais improvável. As esperanças diminuíram depois de o regime de Baahar al-Assad ter afirmado no domingo que só retiraria suas tropas na terça-feira, como previsto pelo plano de paz da ONU, caso recebesse "garantias escritas" dos combatentes rebeldes. Os insurgentes afirmaram, por sua vez, que estão prontos para cumprir o cessar-fogo se Damasco fizer a mesma coisa. "Nós anunciaremos o fim das operações contra o exército do regime a partir da manhã do dia 10 de abril e respeitaremos esta promessa caso o regime respeite as cláusulas do plano", declarou à AFP o porta-voz do Exército Sírio Livre (ESL), coronel Kassem Saadeddine.
A ONU anunciou, em 2 de abril, que Damasco havia aceitado o plano de seis pontos do emissário internacional Kofi Annan, que o obriga a retirar seus tanques até a manhã de terça-feira, e prevê um cessar-fogo geral nas 48 horas seguintes. De acordo com os militantes, a exigência de garantias escritas feita pelo regime é apenas uma tática. "O regime acreditava que (até 10 de abril) assumiria o controle das cidades (rebeldes). Como este não é o caso, tenta ganhar tempo", acredita o presidente do OSDH, Abdel Rahman. "Se o plano de Annan não funcionar, nada vai funcionar e a Síria irá mergulhar em uma longa guerra civil", alertou.
Em meio à onda de violência, nesta segunda-feira, um cinegrafista libanês da rede televisão Al-Jadeed foi morto na fronteira entre Síria e Líbano pelo Exército de Bashar al-Assad, informou a emissora. Este é o primeiro jornalista morto na fronteira desde o início da revolta popular na Síria, em 15 de marco de 2011, que se militarizou ao longo dos meses contra a estratégia repressiva de Damasco.