Os incidentes ocorreram depois que um manifestante ensanguentado relatou ter sido detido e espancado pelos soldados, o que provocou a ira de seus colegas que ameaçaram apedrejar os militares. Os soldados responderam com disparos para o ar, usaram canhões d'água e lançaram pedras contra os manifestantes.
Segundo a TV estatal, 32 membros das forças de segurança ficaram feridos, inclusive um oficial atingido por disparos feitos de uma arma que seria dos manifestantes. Eles também atiraram bombas incendiárias, enquanto as tropas e a polícia militar atacavam repetidamente a multidão.
Um oficial militar culpou os manifestantes pela violência, dizendo à AFP que os soldados envolvidos nos confrontos tinham a missão de proteger o gabinete e não tentaram interromper a manifestação pacífica. Mohamed ElBaradei, o ex-chefe de fiscalização nuclear da ONU, dissidente e candidato à presidência, condenou o que chamou de tentativa selvagem de dispersão da manifestação pacífica.
O partido Justiça e Igualdade da Irmandade Muçulmana, que está na frente nas eleições parlamentares até agora, condenou "o ataque aos manifestantes e a a tentativa de dispersá-los". O partido pediu aos militares para proteger os manifestantes de homens que chogavam pedras dos telhados.
Na tentativa de acalmar os manifestantes o govern ordenou o tratamento de todos os civis feridos em hospitais militares, que normalmente são melhor equipados que os civis, segundo informações da televisão estatal.
Entenda a onda de violência no Egito
Esta é da primeira explosão de violência com vítimas fatais desde a morte de 42 pessoas no mês passado em confrontos semelhantes, pouco antes das eleições realizadas em 28 de novembro. As Forças Armadas do Egito chegaram a apresentar um pedido de desculpas pelas mortes registradas.
Os manifestantes acampam desde 25 de novembro em frente à sede de governo, a alguns metros da Praça Tahrir, no centro da cidade, para protestar contra a nomeçaão pelo exército de Kamas al Ganzuri, ex-premiê do derrocado presidente Hosni Mubarak, para dirigir o governo.