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Confrontos no Egito já somam 11 mortos

Manifestantes pedem saída de governante militar dias antes da eleição

Confrontos na Praça Tahrir já somam 11 mortos
Confrontos na Praça Tahrir já somam 11 mortos Foto : Mohammed Hossam / AFP / CP
Pelo menos onze pessoas morreram neste domingo na Praça Tahrir, no Cairo, capital do Egito. A informação é de médicos de hospitais de campanha. Em dois dias, foram 13 mortes na praça em confrontos, que são registrados apenas a oito dias das primeiras eleições legislativas desde a renúncia do presidente Hosni Mubarak, em fevereiro.

À noite, confrontos violentos ocorreram nas ruas próximas ao Ministério do Interior, situado nas imediações da Tahrir. Manifestantes jogavam pedras e coquetéis molotov em direção aos policiais, que revidavam com tiros de fuzil e de balas de borracha.

Cerca de 55 pessoas foram detidas neste domingo, segundo fontes de segurança. Outras manifestações semelhantes foram realizadas em várias localidades do Egito, como Suez, Qena e Asiut, no centro do país. "Não sairemos" e "o povo quer a queda do marechal" Hussein Tantaui, governante de fato do Egito, gritavam os manifestantes, enquanto diversas pessoas eram retiradas do local feridas para receber atendimento médico.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem hostis ao poder militar, exigindo a saída de Tantaui, que lidera o Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), no comando do país desde que Mubarak foi expulso do poder. Tantaui foi ministro da Defesa de Mubarak durante vinte anos.

UE pede respeito aos direitos humanos

"O Conselho das Forças Armadas mantém a política de Mubarak, nada mudou depois da revolução", declarou Khaled, de 29 anos, enquanto instalava uma tenda no centro da Praça Tahrir. Várias pessoas recolhiam bombas de gás lacrimogêneo e cápsulas, enquanto outras varriam a praça repleta de restos incendiados.

Neste contexto, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, pediu neste domingo à noite às autoridades egípcias que respeitem os direitos humanos e ouçam as aspirações democráticas dos cidadãos, e condenou o recurso à violência. "A lei e a ordem devem ser defendidas de forma respeitosa com os direitos humanos", afirmou Ashton.

Confrontos somam centenas de feridos

Na noite de sábado para domingo, os enfrentamentos tinham deixado dois mortos, um no Cairo e outro em Alexandria. Cerca de 750 pessoas ficaram feridas na capital, de acordo com o Ministério da Saúde. Os enfrentamentos começaram no sábado de manhã e se estenderam também para Asuan e Suez, às margens do Mar Vermelho.

Os incidentes reavivaram os temores de que as eleições legislativas, que devem ser realizadas no dia 28 de novembro, sejam adiadas por vários meses. Um dos membros do CSFA, o general Mohsen al-Fangari, assegurou que haverá eleições como previsto e que as autoridades estão em condições de garantir a segurança. "Não vamos ceder aos pedidos para adiar as eleições. As Forças Armadas e o Ministério do Interior são capazes de manter a segurança dos centros eleitorais", declarou.

Personalidades pedem adiamento da eleição

Várias personalidades políticas e intelectuais, entre elas o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) Mohamed ElBaradei, divulgaram um documento pedindo um prazo suplementar para essas eleições, como parte da revisão do calendário político do país.

As pessoas que assinaram o documento propõem que haja primeiro uma Assembleia Constituinte, depois eleições presidenciais e, por fim, legislativas. Os militares decidiram que a eleição presidencial será realizada em uma data não determinada, ao término deste processo político, e que apenas passarão o poder aos civis depois que um novo chefe de Estado estiver eleito.

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