Os manifestantes protestam contra a junta militar do governo, que substituiu Mubarak, deposto em fevereiro. Os confrontos ameaçam prejudicar as primeiras eleições do país desde então, marcadas para o dia 28 de novembro.
Além do Cairo, foram registrados atritos na cidade mediterrânea de Alexandria. Centenas de pessoas ficaram feridas durante os protestos. A polícia e forças militares usam cassetetes, gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os milhares de manifestantes na Praça Tahir. O ministro da Cultura, Emad Abu Ghazi, renunciou em uma resposta do governo aos protestos.
Pressão por processo democrático
O chefe da Liga Árabe, Nabil al-Arabi, pediu que todas as forças políticas pressionem pelo processo democrático. Ele as encorajou a "trabalhar pela calma e pelo processo político e avançar em direção ao processo de mudanças democráticas baseado nos princípios de liberdade, dignidade e justiça social sobre os quais a revolução de 25 de janeiro foi fundada".
Os primeiros confrontos eclodiram no sábado, um dia depois de uma multidão se reunir pacificamente contra os militares na praça, recomeçando no domingo e continuando durante a noite na segunda, de acordo testemunhas e com o que cenas de televisão mostraram.
A polícia e as tropas dominaram a praça no fim de semana, mas tiveram que recuar sob ataque dos manifestantes. Houve confrontos pesados nas ruas laterais que levam ao Ministério do Interior, enquanto manifestantes entoavam "O povo quer derrubar o marechal em campo"–- Hussein Tantaui, ministro da Defesa de longa data que lidera o atual governo militar.
O gabinete do Egito, que se reuniu durante várias horas no domingo em discussões sobre a crise, garantiu em um comunicado que as eleições parlamentares da próxima semana estão mantidas. O Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF) indicou em um comunicado transmitido pela televisão estatal que "se arrependia" do que estava acontecendo e que está comprometido com o calendário das eleições.
Anteriormente, Mohsen al-Fangari, um membro do Conselho, tinha insistido que a eleição será realizada como planejado e que as autoridades estarão aptas para garantir a segurança. "Nós não vamos concordar com os pedidos para adiar as eleições. As Forças Armadas e o Ministério do Interior são capazes de garantir a segurança dos centros de votação", disse Fangaria em um talk-show do canal via satélite egípcio Al-Hayat.
Adiamento das eleições
Muitas figuras políticas proeminentes e intelectuais, incluindo o ex-chefe da Agência Internacional de Energia Nuclear Mohamed ElBaradei, tinham pedido o adiamento das votações legislativas. Eles apresentaram um novo mapa da transição em que uma Assembleia Constituinte eleita elaboraria uma Constituição e uma eleição presidencial seria realizada, seguida de eleições parlamentares.
A manifestação de sexta-feira, que reuniu ativistas islâmicos e seculares, pediu que os militares transfiram poder para um governo civil e um controle maior sobre a Constituição a ser elaborada. Os manifestantes pediram a retirada de um documento do governo que propõe princípios supra-constitucionais, que permitiriam que os militares mantivessem algum controle sobre as questões do país e manter o orçamento longe do escrutínio público. Os militares dizem que irão transferir poder depois das eleições presidenciais, que ainda serão marcadas.